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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Intervenções culturais alteram rotina escolar no bairro Floresta

Apresentações de hip hop
Foi encerrada nesta sexta-feira, dia 28 de novembro, a Semana Cultural do Colégio Estadual Francisco Lima da Silva, no Bairro Floresta, em Cascavel. O evento não é um fato isolado da unidade escolar localizada na região norte do município. O colégio tem promovido vários projetos de intervenção cultural, integrando professores, alunos e comunidade.

A proposta traz uma experiência que costuma fazer parte da rotina de universidades e faculdades. Essas ações tem alterado a rotina escolar e servido também para mudar mentalidades, vencer preconceitos e contribuir para alta estima da comunidade. "Essa é a segunda intervenção cultural que realizamos. Nossa intenção é trabalhar de forma lúdica com os alunos. São momentos que acabam sendo tão importantes para o aprendizado e para formação quantos as aulas dentro de sala", comenta o professor Péricles Ariza.

Durante os últimos dias, professores, alunos e comunidade participaram de oficinas e acompanharam apresentações que abordaram desde a cultura dos povos tradicionais, como o coral da Escola Indígena Araju Porã, de Diamante do Oeste, até a cultura contemporânea, com a arte urbana e shows de hip hop e break.

As oficinas também foram destaque do evento, entre elas, desenho, poesia, grafite, culinária, reutilização de materiais recicláveis, origami e esportes. Apesar das atividades não serem obrigatórias a presença dos alunos é grande. "Temos cerca de 1,3 mil alunos e pelo menos 80% deles participam de nossas intervenções culturais", comenta a diretora Silmar Paschoali.

O rapper Anderson Marcos da Silva, o Andy Combatente, destacou o projeto promovido pelo Colégio Estadual Francisco Lima da Silva. "Nós [Grupo Combatentes] participamos da primeira Semana Cultural e é sempre muito bom voltar a tocar aqui, recitar nossas poesias e passar nossa mensagem dentro do colégio. Conhecimento é tudo", destaca.

Oficina de grafite com Isaac Souza de Jesus

Crianças do coral Guarani de Diamante do Oeste


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tradicionalismo se rende ao "casal" Heros e Maria Vitória

Dellavega exibe prêmio conquistado em Foz
Os 'sitiantes' que acompanham esse blog sabem que ele busca valorizar a arte e cultura - especialmente a produção independente. Nesse sentido, o Sítio Coletivo abre novamente a porteira ao camarada violeiro Heros Dellavega, que no início deste mês teve mais um reconhecimento do seu trabalho.

Cantor, compositor, instrumentista, poeta e pesquisador da música popular brasileira, Heros foi um dos protagonistas do XII Encontro das Águas, realizado entre os dias 1º e 4 de maio, em Foz do Iguaçu. Festival nativista, o evento congrega artistas das três pátrias lindeiras (Brasil, Argentina e Paraguai).

O violeiro foi premiado com o 1º lugar na categoria 'Música e Composição Instrumental', com a música Poconé, que faz parte do repertório do seu álbum O Compositor da Lua. Poconé é um típico município pantaneiro do Mato Grosso do Sul, com pouco mais de 31 mil habitantes.

Heros Dellavega foi o primeiro músico na história do festival Encontro das Águas a ganhar o premio tocando viola caipira, quebrando a tradição da sanfona e da gaita. "Tiveram que se dobrar a minha viola ‘Maria Vitória’", brinca.

O cascavelense destacou a importância do festival, um dos principais do gênero no país e fez um agradecimento especial no mês das mães. "Agradeço principalmente minha mãe, dona Maria Volski Dellavega, além de toda minha família, amigos que por onde eu passo nesse Brasil sem fronteiras tocando minha viola estão sempre ao meu lado me dando forças".

Quem quiser conhecer mais sobre o violeiro "Sete Flecha", pode acessar outra postagem do Sítio:
http://sitiocoletivo.blogspot.com.br/2011/05/heros-dellavega-talento-do-velho-oeste.html

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Arquétipos e a 'sina' dos artistas populares

Solange e Miguel encenam 'A Princesa e o Pirata'
A sina de artistas que escolhem viver da cultural marginal e contra-hegemônica é de nadar contra a maré. Uma escolha que grande parte das vezes é forçada pela falta da contrapartida do poder público. Há anos essa 'sina' de lutar contra a corrente acompanha o casal Miguel Joaquim das Neves e Solange Esequiel. Eles desenvolvem projetos ligados ao teatro, musicalização e cultura popular em bairros da periferia de Cascavel.

Atores profissionais, Miguel e Solange driblam as dificuldades para manter projetos que não contam com um único 'centavo oficial'. Nos últimos meses eles têm levado alegria às crianças com o espetáculo teatral 'A Princesa e o Pirata'. As apresentações vêm acontecendo – especialmente – em pastorais e associações comunitárias.

A última delas aconteceu no último fim de semana no bairro Floresta, região onde a dupla há pouco tempo desenvolvia o 'Ensinar', projeto que precisou de uma pausa. Cerca de 60 crianças faziam parte do projeto que tinha como principal objetivo promover cidadania e descentralizar a produção cultural na cidade. A intenção de Miguel e Solange é retomar o projeto o quanto antes.

O Ensinar contava com oficinas de violão e aulas de teatro com as crianças dos bairros Floresta e Sanga Funda. Era uma proposta que não visava lucro, mas que necessita de maior apoio e patrocínios. No fim de 2010, oportunidade que esse blogueiro teve um longo papo com o artista, ele já projetava as dificuldades em seguir com o projeto. "é uma semente que eu e a Solange queremos plantar. Amanhã se alguém me disser que quer assumir o projeto, trazer professores para cá, para mim está ótimo. O interesse não é que o projeto seja meu", falou na oportunidade.

A 'centralização' e burocratização da cultura dificulta o trabalho de artistas que precisam (sobre)viver sem o apoio oficial. Um trabalho – que segundo palavras do próprio Miguel – acaba sendo 'pancada'. "Costumo dizer que Cascavel é uma faculdade de artes cênicas, se você conseguir sobreviver quatro, cinco anos dela fazendo cultura, você consegue dar aula no Golfo, no Iraque, até na Faixa de Gaza", brinca o artista, que ironiza. "O Anchieta conseguiu catequizar os índios pelo teatro, mas aqui nós não conseguimos fazer isso com o cascavelense".

A dificuldade financeira também faz com que o casal perca oportunidades de levar sua arte para locais mais distantes. "Fomos convidados para participar do Festival de Teatro em Curitiba, mas não tivemos condições de ir", confessa Miguel. O casal levaria à capital do Estado a peça 'Sombras de um Passado'.

Sobrevivendo de festas infantis e de peças vinculadas a instituições, Miguel e Solange seguem enfrentando as barreiras da desvinculação do apoio oficial. Eles seguem sua 'sina' – palavra que também dá nome a um livro editado pelo poeta Miguel Joaquim das Neves, que junto com sua companheira Solange, se entregam de carne e osso à representação do ideal marginal da cultura popular, aquela de caráter transgressor e que se constitui em ferramenta de reflexão.

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma camêra na mão e Galeano na cabeça

O pequeno Waiki descansa no ombro do pai
"Não importa de onde vim, mas sim onde quero chegar". Essa frase do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, que completou neste sábado 71 anos, descreve muito bem o sentimento de Fillipe Monteiro, 26, que tem como sonho conhecer o autor da citação. Acompanhado de sua família, o jovem de Muriaé - município mineiro de pouco mais de 100 mil habitantes - vem percorrendo vários Estados e países da América do Sul como Bolívia, Peru e Argentina.

Em Cascavel, muitos já devem ter visto e ouvido o trabalho do jovem, mas poucos conhecem seu desejo. Artista de rua, violinista, Fillipe carrega - além do case - uma câmera V-8 e uma 'ideia na cabeça', levando a frente à filosofia do saudoso Glauber Rocha. Junto com sua companheira July e o filho Waiki, (nome do dialeto quéchua que significa 'irmão espiritual'), Fillipe pretende chegar em Montevidéu, capital uruguaia. Sua intenção por lá é conhecer Eduardo Galeno.

Um dos maiores escritores e pensadores da América Latina na atualidade, o uruguaio é personagem central de um trabalho experimental que Fillipe vem realizando. O mineiro vem registrando seu trajeto pelas cidades onde passa com sua família, imagens avulsas e depoimentos de pessoas a respeito de Galeano, de sua obra e seus ideais. "Até o momento tenho duas horas de gravações, em algumas imagens avulsas quero inserir textos do Galeano que tenham relação com aquele momento exposto na imagem", explica.

Ao chegar em Montevidéu, Fillipe Monteiro tentará ter um encontro com Galeano e, se possível, entrevistá-lo para seu projeto. Ele sabe das dificuldades, mas afirma que o que lhe move é sua paixão pela América Latina e o trabalho do uruguaio. "Primeiro quero chegar até ele [Galeano] e mostrar o que fiz até o momento. Tenho o desejo de entrevistá-lo, mas se eu conseguir simplesmente conhecê-lo já estará de bom tamanho", diz Fillipe.

Na opinião do músico, o trabalho de Galeano precisa ser propagado, pois trata-se de uma referência quando o assunto é a nossa América. "Eu acho que o Galeno é um escritor boicotado, inclusive nos espaços acadêmicos. Acho que ele deveria ser leitura obrigatória para estudantes de história, jornalismo, ciências sociais", diz o mineiro que chegou a cursar Jornalismo por alguns meses.

Fillipe conta que após conhecer o trabalho de Galeano passou a entender melhor nosso continente. "Muitos sabem que vários países da América Latina sofreram com ditaduras militares, mas quando você lê Galeano começa a entender que não foram fatos isolados de cada país, começa a entender as conexões entre os golpes e visualizar uma exploração que ainda faz parte da vida de nosso continente", afirma Fillipe, referindo-se especialmente a obra mais conhecida do autor: As veias abertas da América Latina.

"Fiquei sabendo que ele [Eduardo Galeno] passa o verão europeu na Espanha e o verão da América no Uruguai, então iremos ficar aqui pela região até o fim de setembro pelo menos", prevê Fillipe. Depois dessa breve passagem pelo Oeste do Paraná, Fillipe, July e o pequeno Waiki, de 2 anos, seguem o rumo de uma viagem movida por um sonho e uma ideia na cabeça, afinal, o que realmente importa é onde eles querem chegar, já diria o escritor uruguaio.

Galeano completou 71 anos neste sábado (3), enquanto as Veias estão abertas há 40. Além da indicação dessa (‘bíblia pessoal’ deste blogueiro) e outras obras do uruguaio, compartilho abaixo uma entrevista do escritor que faz parte do projeto Sangue Latino, do Canal Brasil, onde o jornalista Eric Nepomuceno entrevista uma série de pensadores e intelectuais latinos.  


"Na América Latina, a liberdade de expressão consiste no direito ao resmungo em algum rádio ou em jornais de escassa circulação" (Eduardo Galeano)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma doença para se levar até o leito

Festival em Bogotá (Willian Martinez)
Não sou entusiasta de datas especiais e comemorativas, acho grande parte delas meras formalidades, porém este Sítio não poderia deixar passar o "Dia Mundial do Rock". Esse espaço coletivo saúda as mais variadas bandas, dos mais variados estilos, que continuam fazendo "barulho" em nosso "Oeste Selvagem", especialmente os que produzem de forma independente. Aproveito para reproduzir um texto escrito no ano passado e publicado no CMI (Centro de Mídia Independente), intitulado "Uma doença para se levar até o leito".   

Sou da turma de um bando de doentes, insanos, rebeldes, contestadores e transgressores. Nós - realmente somos - o verdadeiro "bando de loucos" e nossa loucura cresce a cada dia, não tem limites, barreiras de idade, sexo ou distinção social.  Temos uma doença em comum, doença que me afere desde a infância, desde que me conheço por gente. Essa doença está sempre corroendo meus ossos e correndo nas minhas veias, indo direto ao meu sangue com uma injeção de adrenalina, como um verdadeiro "elixir da vida". 

Falar de algo que você gosta é prazeroso, mas você corre o risco de fazer uma análise pessoal demais, conforme suas experiências próprias. Mas desde o meu primeiro contato com essa doença, a reação foi de "amor ao primeiro riff". Nesse primeiro contato, senti que levaria essa doença comigo e com muito prazer - até o meu leito de morte. 

Na adolescência não conseguia dormir sem doses homeopáticas do "bom e velho rock n' roll". Desde que me conheço, essa sempre foi minha válvula de escape. Bastava eu brigar com o meu irmão, discutir com meus velhos, sair no braço na escola ou ser pego fazendo algo "ilícito", e lá ia eu para minha "droga" predileta. Fechava meu quarto (pois era um "barulho" que só eu tinha o dom de ouvir) e somente sossegava colocando os decibéis nas alturas. 

Para muitos, assim como para mim, o rock serviu como um verdadeiro divisor de águas. Nele você viaja, nele você consegue descarregar suas angustias, ser realmente quem se é. Ele nos traz experiências que vão além do senso comum. 

Nós amantes do rock, diferente de outros grupos, sentimos prazer em ter guardado uma infinidade de fitas cassetes em velhas caixas de sapato (que para alguns não passariam de lixo e velharias); algumas originais e outras gravadas com uma qualidade "duvidosa", sem falar dos velhos "bolachões". 

Não importa como você encare a música, alguns somente como mero entretenimento e outros de forma profissional, mas no fundo de tudo está a alma, o espírito e principalmente a atitude. Coisa que somente o rock sabe explicar como ninguém, sendo ferramenta de liberação de espírito para aliviar a dor, contestar, se divertir, e fazer amor. 

O saudoso Leminski, o "maldito" paranaense, dizia que "a vida é uma viagem, onde estamos somente de passagem", porém o rock é uma viagem que levarei até o fim dos meus dias, mas que felizmente nunca vai morrer, diferentes de tantas "drogas" passageiras por aí. 

Nem Freud conseguiria explicar se o Rock é do Diabo ou de Deus. Eu prefiro dizer que ele é simplesmente do homem, mas insisto em acreditar que ele deva ser a trilha mais tocada nos salões e nos alto falantes do inferno. 

Nesse Dia Mundial do Rock, vale ligar o som no volume alto e saldar monstros como Berry, Iggy, Zappa, Lou, Dylan, Hendrix, Cash, Jello, Motorhead, Stones, Stoogies, Ramones, Led, Mutantes, Ratos, Nirvana, Metallica, Sabbath, AC/DC, Slayer, Raul, Clash, Inocentes, os irmãos Cavalera (os "Jungle Boys"), enfim, há tantos "deuses" por aí, que serei injusto ao não citar alguns. 

Parabéns a eles e principalmente a nós, bando de transgressores que continuamos com nossa vontade de gritar por liberdade e continuar a ouvir a mais "brutal, feia, desesperada e viciada forma de expressão que já tivemos o prazer de escutar".
 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Aberto edital para o "FUGU 2011"


O Baiacu (Bando Independente Associação Cultural), por meio de sua coordenação de artes visuais, abriu edital de convocação para participação na mostra FUGU 2011, que será realizada nos dias 12, 13 e 14 de agosto no Centro Cultural Gilberto Mayer, em Cascavel. 

Realizado desde 2007, o FUGU deste ano terá como tema a "Carne". Segundo o edital, "a carne é uma substância constitutiva do corpo animal, a partir deste pressuposto é que o tema relativo à pintura foi idealizado. O assunto proposto sugere a intenção de fazer tal elemento como sendo um fator emblemático da linguagem pictórica". 

Poderão participar artistas dos municípios de Cascavel e Toledo, assim como estudantes de artes que sejam de outros municípios da região Oeste do Paraná. Todos devem ser maiores de 18 anos. Os trabalhos devem ser enviados para o endereço eletrônico: cascoart@gmail.com 

Após a realização do FUGU, os trabalhos selecionados serão expostos na biblioteca da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Maiores informações sobre as regras para participação e envio dos trabalhos, assim como o edital completo, estão disponíveis no sítio www.baiacu.net  e no blog artesemcascavel.blogspot.com

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Fronteira Socialmente Incorreta

Rodrigo, Marcão, Teli e Velo
“Hardcore é protesto, a voz dos necessitados...”, diz a composição que também dá nome a banda Socialmente Incorreto e reflete o peso da sonoridade e letras desse quarteto de Foz do Iguaçu que há oito anos vem representando o cenário underground do “velho oeste” paranaense e da Tríplice Fronteira. 

Como já foi dito, esse espaço coletivo tem como um dos focos ampliar a abertura à artistas que produzem de forma independente, especialmente em nossa região. Em razão disso a porteira do sítio foi encancarada para os iguaçuenses Marção Oliveira (guitarra), Rodrigo Barreto (baixo), Cleiton “Telis” (bateria) e Ademar Junior “Velo” (vocal).

Com influências do punk-rock, hardcore nova-iorquino e o rap, mas sem cair em rotulagens, Socialmente Incorreto leva em suas composições a música de protesto, a realidade de nossa fronteira, além de críticas à mídia hegemônica e aos “velhos costumes modernos”.  Em 2007, eles lançaram um álbum homônimo com oito faixas.

Esse blogueiro conheceu pessoalmente a galera do Socialmente que esteve recentemente tocando em Cascavel e aproveitou para trocar uma ideia sobre música e comunicação, que fazem parte da vida dos integrantes da banda. Sem delongas, acompanhe abaixo o bate-papo.

Como e quando surgiu o Socialmente Incorreto?
[Velo] O Socialmente começou em 2003. Dois desocupados, numa quadra de basquete, tiveram a ideia de montar uma banda. Eu tinha algumas composições, já com algumas bases toscas. Chamamos mais dois desocupados e a merda tava feita.
[Marcão] Eu não era um dos desocupados. Entrei na banda logo após a gravação do CD, em 2008. O Teli (bateria) entrou em 2009.

Como definem a cena Hardcore e underground em Foz e o que representa para vocês?
[Velo] Com toda a sinceridade, hoje pouco se vê dessa cena. Alguns poucos remanescentes das boas épocas. O que acontecia antes - sempre tinha uma piazada nova - não se vê mais. Acho que perdemos pros ‘emos’ e pros ‘coloridos’.
[Marcão] O Velo bateu num ponto importante: falta renovação. A época em que a molecada corria atrás de galpões para alugar; percorria ruas da cidade colando cartazes; distribuía fliers, passou. Houve uma certa acomodação, uma vez que surgiram bares que mantinham a estrutura necessária para os shows. Isso deu fôlego, por um tempo. Como não é fácil manter um bar para um público sem dinheiro, esses lugares acabam fechando. Agora, quem, com 30, 40 anos de idade pesando nas costas, família para manter, contas a pagar, tem gás para recomeçar o processo?

Além do HCNY, que se percebe no álbum, quais as outras influências musicais?
[Velo] O gosto musical da banda varia muito, mas o que me influencia nas composições
são o HC e o Rap.
[Marcão] Eu sempre ouvi de punk rock a rock brasileiro dos anos 80, além de guitar band, entre outras coisas. O Teli (bateria) curte jazz. Claro que não dá pra colocar nas nossas músicas tudo aquilo que gostamos, mas acho que dá pra notar algumas ‘pegadas’ diferentes, principalmente ao vivo.

A realidade da fronteira é “hardcore” por natureza, como influencia nas composições?
[Velo] Somos quase todos nascidos aqui, onde vivemos há muito tempo. Então temos um grande apego a cidade, o que é uma das principais fontes de inspiração na hora de compor.
[Marcão] Um passeio pela Ponte da Amizade, num sábado, rende bastante assunto! (risos)

Em músicas como Ninguém se move e Guerra na Fronteira, vocês falam de luta social e figuras como Lampião e Chico Mendes. Falem um pouco dessa “pegada”.
[Velo] Chico Mendes, Lampião, assim como vários outros - que se eu for citar aqui, vou discorrer milhares de linhas - mostraram que temos o poder da mudança. Escrevemos sobre pessoas que mudaram suas vidas, ou deram suas vidas pelo que acreditavam ser o correto. É importante frisar que não temos laços com nenhum movimento político ou partido. Mas sempre vamos nos impor quando alguém quiser passar por cima. "Se você está abaixo vamos te ajudar a subir, se está acima vamos derrubá-lo, agora, se está ao nosso lado, andaremos juntos".

A fronteira é um local de grande miscigenação, onde afloram preconceitos. Como avaliam?
[Velo] Eu desconheço alguma ação de violência, tendo como partida a discriminação racial, por aqui. Foz do Iguaçu é um exemplo para o mundo. Somos 76 etnias que vivem em perfeita harmonia.
[Marcão] Foz do Iguaçu, como toda região de fronteira internacional, sofre com todo tipo de problema, e não é de hoje. Agora, daí a taxar a cidade como um reduto terrorista vai uma distância tremenda. O preconceito contra Foz parte da desinformação da mídia e, consequentemente, da população de outras cidades. Pior que isso, é o descaso de muitos moradores daqui. É normal iguaçuenses caracterizarem a cidade como ‘terra da muamba’, ‘Fossa do Iguaçu’, e por aí vai.

Alguns de vocês trabalham com comunicação. Na música A corda não arrebenta deste lado há uma crítica a televisão. Como a banda avalia a grande mídia, a “mídia limpinha”?
[Velo] Eu sou publicitário, profissão que impõe o consumo desenfreado. O Marcão é jornalista, profissão que distorce as informações e deixa a população cada vez mais tapada. Tentamos fazer diferente do que nossas profissões pregam e deve ser por isso que andamos a pé! (risos).
[Marcão] A forma como a população se relaciona com a mídia deriva de décadas de manipulação. Tentativas para combater essa situação não faltam, seja na imprensa alternativa, seja em organizações que pregam a democratização da informação no país. Mas não é fácil. O imaginário popular ainda se concentra nas ‘verdades’ disseminadas, com bases em interesses particulares, pelos grandes grupos econômicos. Um exemplo: todos comemoraram a morte de Osama Bin Laden. Mas não se sabe qual a real história desse caso. Ele realmente foi morto? Não vi nada que comprovasse isso. A morte dele era necessária? Pouco se questiona sobre isso, mas a ‘informação’ correu o mundo. E fica por isso mesmo.    

Como avaliam o fenômeno dos blogs e da imprensa alternativa?
[Marcão] Eu diria que a trincheira está montada. A tecnologia favoreceu o surgimento de veículos alternativos dispostos a questionar o atual status quo. O Sítio Coletivo é um ótimo exemplo! O boom de informações na rede colocou em xeque uma porção de veículos. Ainda há um longo percurso, mas as mentiras contadas pelos grandes grupos de comunicação passaram a ser questionadas, e isso não é pouca coisa.

Quais os planos da banda e aproveitem para deixar um recado aos “sitiantes”.
[Marcão] Na verdade, não temos feito muitos planos. Somos amigos, que gostam do que fazem. O Socialmente Incorreto tem resistido mais pela nossa boa relação do que por planejamento (risos). Por hora, tem dado certo. Queria aqui agradecer o espaço, Júlio! E também desejar longa vida ao Sítio Coletivo. Fazemos parte da mesma guerrilha! Grande abraço.

Acompanhem abaixo o vídeo de Guerra na Fronteira, que compõe o álbum de 2007


Mais informações em: www.myspace.com/socialmenteincorreto.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Chacal e Dylan: poetas agitadores culturais

Desconstruir contextos ou contextualizar a construção poética, ideologia ou contra-ideologia, cultura da contracultura. Elementos que unem dois poetas símbolos da expressão libertária em uma data comum: o dia 24 de maio. Batizados Robert Allen Zimmerman e Ricardo de Carvalho Duarte, dois poetas, dois agitadores culturais.

O primeiro - que completa 70 anos - atende por Bob Dylan. É difícil falar do “Sr. Tamborim”, dispensa maiores comentários com suas canções-protesto, carregadas de instrumentos literários, poeta da contracultura que embalou a Beat Generation.

Já o segundo é enfático ao dizer que foi fortemente influenciado pelo primeiro, entre outros ícones da contracultura como Allen Ginsberg. Batizado Ricardo, pseudônimo Chacal, o poeta marginal o expoente da geração mimeografo, que completa seus 60 anos de vida.

Poeta, cronista e roteirista, esse maldito participou das principais manifestações culturais do Brasil nos últimos 40 anos. Publicou seu primeiro livro de poesias em 1971. Foi responsável por um dos momentos mais intensos da festa literária de Paraty 2007 na mesa literária Uivos. Lançou no ano passado, o livro de memórias Uma história à margem, um balanço informal de sua trajetória.

Sobre a obra de Chacal, Paulo Leminski afirmava que a palavra “lúdico” era o elemento chave. O imortal paranaense via nos poemas de Chacal “as letras de música popular, do mundo industrial e urbano que se abateu, irremediavelmente, sobre nós”. Semelhanças com as canções-poema do outro aniversariante do dia não são meras coincidências.

Como era bom
o tempo em que Marx explicava o mundo
tudo era luta de classes
como era simples
o tempo em que Freud explicava
que Édipo tudo explicava
tudo era clarinho limpinho explicadinho
tudo muito mais asséptico
do que era quando eu nasci
hoje rodado sambado pirado
descobri que é preciso
aprender a nascer todo dia
(Chacal)

Abaixo Subterranean Homesick Blues, de Dylan

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Arquétipos presenteia terceira idade

Miguel e Solange no Fringe 2011
A terceira idade de Cascavel será presenteada nesta terça-feira, dia 24, com o espetáculo teatral Sombras de um passado, do Grupo Arquétipos. A companhia - que atua de forma independente e que se dedica ao teatro popular - fará a apresentação da peça que foi um dos destaques do Fringe (Festival Nacional de Teatro) realizado em abril em Curitiba. 

O evento acontecerá no Sesc de Cascavel, a partir das 15 horas, e a entrada é gratuita. O espetáculo Sombras de um passado – encenado pelo casal de artistas profissionais Miguel Joaquim das Neves e Solange Ezequiel – aborda o sofrimento psíquico de Pedro, um homem marginalizado que migra do campo para a cidade. Às voltas com suas lembranças e fantasmas pessoais, percorre as vivências traumáticas antigas e os problemas concretos do presente. 

Além do espetáculo, serão realizados shows de poesia e músicas de autoria de Miguel. Sorteios de brindes e brincadeiras com os grupos da terceira idade também fazem parte da programação.Apesar de ser voltado à galerinha da terceira idade, Miguel aproveita para convidar os mais jovens para também participarem, promovendo assim a integração entre as "turmas". 

Como de praxe, esse será mais um evento cultural promovido pelo casal de artistas sem contar com o apoio de nenhum "centavo oficial". Miguel e Solange contaram apenas com a ajuda de alguns empresários da cidade, uma rotina que já faz parte da vida desses batalhadores da cultura no "velho oeste". 

Apesar da falta de apoio e valorização, o poeta Miguel é um entusiasta quando o assunto é a arte: “A arte é uma forma de quebrar barreiras e incentivar as novas descobertas, a arte por si só tem que ser livre, tem que ir além dos formatos, concretismos e metodologias aplicáveis, tem que ser apenas arte, pois ela tem o poder de revolucionar ideias, despertar censo crítico e mostrar possibilidades que existem em cada um”. 

domingo, 22 de maio de 2011

Heros Dellavega: talento do "velho oeste"

O velho oeste paranaense é um celeiro de artistas que atuam de forma independente. Talentos de nossa terra dos quais temos que nos orgulhar, artistas profissionais que muitas vezes precisam nadar contra a maré em uma região onde a cultura ainda é subvalorizada, vista como algo secundário.

Como esse sítio busca valorizar a arte e cultura - especialmente a independente - nossa porteira está escancarada para esses profissionais. Quero tomar a liberdade de falar de um grande artista que, acima de tudo, é um camarada pessoal desse escriba: o violeiro Heros Dellavega.

Natural de Cascavel, Dellavega cada vez mais vem adquirindo respeito e carinho por onde passa levando sua arte. Com sua música serena, repleta de poesias e harmonias vivas, o violeiro vem conquistando admiradores dos mais variados estilos, desde o caboclo simples até o mais “letrado”, com composições que fazem um casamento perfeito entre as letras de forte conteúdo e a harmonia dos acordes de sua viola.

Cantor, compositor, instrumentista, poeta, produtor e pesquisador da música popular brasileira, Heros Dellavega – atualmente com 31 anos – escreve poesias desde criança e compôs sua primeira canção aos 9 anos, a Jatazá do Miumbeiro. Aos 18 anos, iniciou sua carreira profissional.

O talento desse caboclo pode ser visto na produção de seu primeiro álbum, O Compositor da Lua, lançado no fim de 2010 e elogiado por grandes nomes da MPB, como Almir Sater. O cascavelense promete repetir a dose em mais uma obra que vem produzindo de maneira independente, o álbum instrumental Magia das águas, que terá 12 músicas inéditas, executadas em várias afinações da viola.  

Dellavega foi destaque em novembro de 2010 na emissora Record News, sendo premiado como artista revelação, melhor interpretação e clipe do ano de 2010 entre mais de 11 mil inscritos pela internet, no quadro talentos do programa Marco Camargo Entrevista. O apresentador e produtor musical rasgou elogios ao compositor paranaense, ao acompanhar sua interpretação de Tocando em frente (de Almir Sater), gravada no Lago Municipal de Cascavel.

Eleito pelos três maiores sites de cifras e tablaturas do Brasil (Cifra club, Vagalume, Pegacifra), como melhor arranjo, cenografia, interpretação e melhor vídeo aula para quem baixar a música Sina de Violeiro do cantor e compositor Renato Teixeira. Classificado pelo portal UOL em 3º lugar entre os artistas solo no seguimento da música folk brasileira, ficando atrás apenas de nomes consagrados como Renato Teixeira e Almir Sater.

Questionado por esse blogueiro sobre a importância dos meios de comunicação na divulgação dos artistas independentes, o violeiro considera essencial o apoio à cultura, mas desabafa quem sem sempre é assim: “Eu batalho muito para ter essa parceria ao meu lado, porém, nem sempre são positivas as respostas finais”. 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Trovador não canta, dispara

Antes de falar da postagem, quero tomar a liberdade de agradecer a galera que têm mandado mensagens de apoio a iniciativa desse espaço coletivo, aos que estão lhe indicando, aos que já se colocaram à disposição para contribuições e aos seus primeiros seguidores. 

Voltando ao post, nem só de palavras publicadas vive o escriba, pois ele também se alimenta de som e como a palavra cantada é um instrumento de liberdade e transformação, quero coletivizar cultura, indicando um artista que muitos já devem conhecer, mas que tive o prazer de conhecer pessoalmente em recente viagem à Porto Alegre. Trata-se do trovador Pedro Munhoz, gaúcho de Barra do Ribeiro.

Autodidata e independente, gravou seu primeiro CD em 1998 (Pedro Munhoz Encantoria). Pesquisador permanente e trovador por excelência, Pedro resiste por meio da música, denunciando entre outras mazelas; as injustiças dos campos sulistas, de seus extensos latifúndios e monoculturas literalmente envenenadas.

Abaixo um vídeo que fiz da apresentação da canção Terra (que conta com participação do músico José Martins), gravada no I Fórum da Igualdade, realizado na capital gaúcha em abril. A qualidade não é das melhores, mas foi o que consegui fazer com minha máquina.


   
Mais informações: http://www.pedromunhoz.mus.br/ ou sigam @trovadormunhoz.