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terça-feira, 27 de setembro de 2011

#BlogMundoFoz: Uni-vos por uma comunicação plural

Comunicação popular, marco regulatório da mídia, expansão da banda larga, contrariedade a qualquer tipo de censura na internet, enfim, temas que buscam uma informação verdadeiramente plural e democrática e que serão debatidos pela blogosfera no 1º Encontro Mundial de Blogueiros Progressistas, em Foz do Iguaçu.

São três dias de evento na fronteira (de 27 a 29 de outubro), tendo como tema "O papel da blogosfera na construção da democracia". A organização é de responsabilidade do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Nomes de peso da comunicação já estão confirmados, entre eles o semiólogo galego Ignácio Ramonet, criador do Le Monde Diplomatique, um dos principais estudiosos da comunicação na atualidade.

Líder de movimentos antiglobalização e autor de vários livros, Ramonet propôs por meio do Observatório Internacional dos Meios de Comunicação, a configuração de um 'quinto poder'. Essa concepção surge da expressão 'quarto poder', cunhada aos meios de comunicação. Para Ramonet, esse "quinto poder teria a função de denunciar o superpoder dos meios de comunicação, dos grandes meios midiáticos, cúmplices e difusores da irrefreável globalização liberal". Porém ressalta que esse 'quinto poder' não pode estar atrelado ao Estado, elogiar governos ou criticar meios que não estariam de acordo com o governo vigente, não agindo como um meio 'chapa-branca'.

Kristinn Hrafnsson, um dos porta-vozes do Wikileaks, também estará em Foz do Iguaçu. Criado em 2006 na Suécia, país de origem do editor Julian Assange, o Wikileaks é uma das maiores contribuições para liberdade de expressão e transparência dos últimos tempos.  

O debate durante o #BlogMundoFoz deverá esquentar com a presença do ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Esse será cobrado e não poderá fugir de debates importantes como um novo marco regulatório para as comunicações - que regule a conduta dos meios de comunicação - o que já acontece em vários países do chamado 'primeiro mundo', mas que por aqui - desde que foi rascunhado pelo ex-ministro Franklin Martins - ainda não saiu da gaveta. Por trás dessa demora para se discutir o tema, o lobby de grandes corporações da mídia que insistem em tratar regulação como 'censura' (sic). 

Com a blogosfera em peso, Paulo Bernardo deverá também dar esclarecimentos sobre a expansão da banda larga para o alcance de usuários de baixa renda. O PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) já rende críticas, visto que deverá ficar por conta das operadoras privadas e não da Telebrás. Segundo o ministro, "internet sob regime público seria inviável neste momento, devido a questões orçamentárias". 

Os blogs – além de propiciar um maior número de informações e contrapontos de ideias – são benéficos ao próprio jornalismo profissional que precisará se reinventar. Na medida em que a mídia profissional se depara com um número de cidadãos comprometidos com uma comunicação popular, ela também terá (cedo ou tarde) que se voltar a uma comunicação que seja realmente plural. 

É na blogosfera que vemos emergir o fenômeno dos 'jornalistas cidadãos', aquele que apesar de não ser um 'profissional' da comunicação consegue colher e disseminar informações de relevância à população.

Em Cascavel, essa rede vem sendo criada e ampliada por meio dos blogs políticos. Temos exemplos do sítio do jornalista Fernando Maleski e do recém criado Ponto de Observação, com foco na transparência pública. Páginas que buscam a contraposição de opiniões em assuntos de relevância locais por meio da palavra livre, como do jornalista Jefferson Lobo, além de páginas sobre cultura e variedades como o Bastidores da Arte ou voltadas aos esportes como Magela na Área. Em Foz, temos o exemplo do Boca Maldita, do Ceará News, entre outros. Enfim, o Oeste do Paraná, que sedia o evento, também vem contribuindo para essa expansão da blogosfera.

Que essa rede aumente ainda mais, pois na medida que esses espaços crescem, cresce também a responsabilidade da mídia tradicional. Enquanto isso, os blogueiros, devem tomar o cuidado de se manterem independentes - não estarem vinculados a grupos políticos (tanto de campos progressistas quanto de campos conservadores) - para não caírem no erro de editarem instrumentos 'chapa-branca'.  

A internet, em especial o fenômeno dos blogs, contribui para a construção coletiva da informação. São milhares de pessoas que por meio da posse dessas informações e conhecimento contribuem para furar o cerco das práticas perniciosas da velha mídia tradicional, buscando assim, uma comunicação como ela realmente deve ser: horizontal, plural e democrática. Portanto, blogueiros do mundo uni-vos!


Na foto acima, Ignácio Ramonet e subcomandante Marcos, líder do Movimento Zapatista do México. Como dica aos sitiantes: "Marcos: A dignidade rebelde", lançado no Brasil em 2001 pela extinta Campo das Letras. O livro reúne uma série de conversas do jornalista com esse personagem lendário das selvas de Chiapas.  

Mais informações sobre o #BlogMundoFoz neste link

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A necessidade de uma comunicação popular em uma mídia monopolizada


Reproduzo para os sitiantes um texto do professor de história de Foz do Iguaçu, Danilo Georges, sobre monopólio midiático, liberdade de empresa e o papel fundamental dos comunicadores populares na busca de uma mídia verdadeiramente plural e democrática. O artigo foi originalmente publicado no portal fronteiriço Megafone – Rede Cidadania de Comunicação. Mais informações no endereço: www.megafone.inf.br e pelas redes sociais (@redemegafone)



 O monopólio da comunicação exercido pelas grandes corporações da Mídia tem um forte impacto social, cultural e econômico na sociedade, a concentração de informação na mão de grandes empresas é um atentado a democracia, pluralidade de pensamentos e direitos humanos em suma um atentado a vida.

A mídia corporativista exerce um grande pacto com o capital construindo consenso sobre atores sociais, políticos e instituições financeiras. Padronizando comportamento e ditando ideologias, na qual não existe vida fora do capitalismo, exerce assim um verdadeiro controle social, tenta se apresentar como neutra mas tem um pacto com as elites econômicas que a controla. 

O jornalista Denis Morais chama atenção para o monopólio da imprensa mundial segundo ele: “quatro corporações (Viacom, Disney, AOL Time-Warner e Rupert Murdoch) concentram 90% da produção de jornais, rádios, televisão, teatro e cinema, fica descaracterizada qualquer possibilidade de democracia nos meios de comunicação”.

Segundo a analise do jornalista, aproximadamente 6 bilhões de pessoas são informadas e manipuladas por 4 corporações que estão atreladas aos interesses de mercado. Há sempre espaços nos telejornais para intelectuais que defendem o sistema econômico vigente, aos contrários cabe o ostracismo, a demonização de seus pensamentos e a criminalização dos  movimentos sociais que não são agregados nesse tipo de imprensanão possuem direito ou respaldo, são sujeitos invisíveis nesse formato capitalista aonde se valoriza mais o lucro do que a vida. 

Em contraposição à mídia burguesa e sua lógica perversa mercadológica, nasce dos becos, guetos, ruas, sindicatos e universidades, uma outra proposta de comunicação galgada na defesa de um dos mais fundamentais direitos humanos que é o direito de se comunicar, um outro olhar sobre a sociedade, uma  nova voz  que busca disputar hegemonia com o neoliberalismo, a comunicação popular tem como principal ofício dar voz aos excluídos e oprimidos aqueles que são silenciados, massacrados e invisíveis às corporações midiáticas.

A mídia monopolizada não carrega nenhuma liberdade de informação há somente a liberdade de mercado, que é protegida e assegurada pelas economias liberais capitalistas, e que fere o exercício aos direitos à liberdade de opinião e expressão. O papel dos meios de comunicação deveria ser democratizar o saber, educar, investigar, humanizar a sociedade e denunciar a corrupção. 

Como a mídia oficial faz geralmente um desserviço as camadas populares, comunidades indígenas e todos aqueles que não têm o poder aquisitivo para o consumo, creio que o papel do comunicador popular é o de ir na contramão da mídia corporativista e atuar junto com  a camada subalterna da população,  revelando os interesses político-econômicos que levam à publicação de determinadas notícias encomendadas pela elite patronal brasileira , os comunicadores populares devem  fornecer informações aos leitores que não são encontradas na grande mídia, fazendo uso de pesquisa e de reportagens utilizando muitas vezes  recursos próprios.

Enfrentar a elite e os desmandos de empresas que insistem em colocar o lucro acima da vida é o objetivo vital de quem se propõe lutar pela democratização da comunicação, a comunicação popular tem que estar atrelada a um projeto educacional não formal, é necessário exercer uma pedagogia libertária e emancipatória onde todos tenham acessos à informação e o direito a comunicação. 

A luta por uma outra mídia é vital, urgente e necessária para que a humanidade possa aspirar um novo mundo aonde se prevaleça a demanda coletiva e não individual, pautando os direitos e não privilégios, almejar valores igualitários e assegurar a diversidade de opinião, acima de tudo, viver em uma sociedade anti-capitalista.

Danilo Georges é professor de história em Foz do Iguaçu.