terça-feira, 14 de junho de 2011

"El chancho", os reaças e a Unasul

Um homem com espírito anárquico comungado com o estadismo centralizado, a dosagem certa para o intelectual guerrilheiro. Em 14 de junho de 1928, nascia o argentino Ernesto Guevara de La Sierna Lynch, simplesmente Che, um dos revolucionários mais conhecidos do mundo, admirado por muitos e odiado por alguns.  

Como todo ser humano, Che era um cara com contradições internas, o que rendeu e ainda rende - mesmo após mais de 40 anos de sua morte - uma série de campanhas difamatórias sobre sua imagem por àqueles que tentam incessantemente usurpar sua trajetória. Às vezes, penso que os “reaças” têm mais fascinação pelo Che do que seus próprios admiradores.  

Ministro que odiava escritórios, após o sucesso da Revolução Cubana abandonou altos escalões de poder para lançar-se novamente a luta, em outro país que não era o “seu”, pelo menos não na documentação oficial.

Esse blogueiro talvez não seja a pessoa certa para falar da trajetória do Che, mas em virtude de toda campanha difamatória dos “reaças de plantão”, tomo a liberdade de indicar aos 'sitiantes’ o livro Ernesto Guevara, também conhecido como Che, escrito por Paco Ignacio Taibo II (Editora Expressão Popular).

A obra é uma grafia minuciosa e detalhada, um vasto material que recorre além da narrativa do autor, aos textos do próprio Che (de seu famoso diário), fragmentos de cartas pessoais e públicas, notas manuscritas, declarações em atas, entrevistas, frases e testemunhos de companheiros. O livro – de grande fidelidade histórica – é uma crítica contundente aos querem separar Che de suas ideias e limitar sua herança a rótulos. 

Em segundo lugar, não posso deixar de dar aquela cutucadela na mídia “limpinha” e hegemônica. Aproveitando a data de nascimento desse revolucionário latino-americano na essência, gostaria de fazer um breve comentário sobre a Unasul (União das Nações Sul Americanas).

Pouco se noticiou, mas no fim de junho, a Câmara de Deputados aprovou a adesão oficial do Brasil à Unasul. A princípio uma formalidade, mas juridicamente necessária, que ainda deve passar pelo Senado. Brasil, Argentina e Venezuela foram os idealizadores do projeto por meio de um acordo tratado em 2008, que está se tornando realidade. 

A Unasul exercerá um papel idêntico ao da União Europeia, ou seja, a integração continental institucionalizada, tanto econômica, como política e militar. A intenção é alterar o quadro geopolítico das Américas, criando-se um regulador para as investidas de nações hegemônicas, especialmente do Titio Sam.  

A Unasul abrangerá Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Entre os objetivos da entidade estão a erradicação do analfabetismo, proteção da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos ecossistemas, o acesso universal à seguridade social e aos serviços de saúde, e o intercâmbio de informação e de experiências em matéria de defesa.

Também está previsto a criação de um futuro parlamento sul-americano, mas que dependerá de um novo acordo a ser criado por uma comissão especial, composta de representantes dos parlamentos nacionais e regionais.

Enfim, esse foi mais um passo (‘esquecido’ pela grande mídia) de uma entidade que pretende promover a integração continental com foco na identidade sul-americana. Os meios de comunicação não deram a importância devida ao tema – e não se esperava algo diferente – em especial pelo ranço e preconceito daqueles que detém os meios de produção que ainda acreditam que essa história de integração sul-americana é papo de curumim

Se esquecem de ‘Nossa América’ e preferem noticiar as futilidades da ‘América dos outros’, por pura incompetência, canalhice ou quem sabe o medo daqueles que se calam diante de fatos que remetem a uma sociedade latino-americana verdadeiramente emancipada, assim como buscava figuras como Ernesto, ‘el chancho’.


Abaixo o vídeo de Hasta Siempre, interpretada pelos espanhois do Boikot, banda de punk-ska, caracterizada por seu compromisso social e mensagem política nas canções.



3 comentários:

  1. ...A emoção ao ler o texto e ver o vídeo são indescritíveis, excelente. Que pessoas como você renovem - se a cada dia, e que tenham força para continuar a luta contra a falsa política e essa mídia medíocre.
    Vida longa a memória do COMANDANTE...
    Parabéns pelo blog, forte abraço.

    "Hasta La Victoria, Siempre!"

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  2. Alceu A. Sperança14 de junho de 2011 17:59

    Para cada imbecil morto-vivo que difama o Che, símbolo imortal da luta pela liberdade em todo o mundo, há milhões lutando, nascendo, crescendo e vivendo pela Revolução.

    Esse imbecil passará, todos os imbecis passarán.

    Nós Venceremos!

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  3. Como bem disse o Jhonata, a emoção ao ler o texto, e o vídeo são indescritiveis. Parabéns e viva Che e a América Latina!

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