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Diniz Bento da Silva, o 'Teixeirinha', morto em 1993 |
Durante a ocupação, os policiais foram até a fazenda acompanhar o madeireiro Adessir Cassol na retirada de máquinas do local. Por se tratarem de policiais à paisana (conhecidos como P2), os militares foram confundidos com pistoleiros, segundo a versão dos sem terra, que ainda alegaram que os policias teriam atirado primeiro, agindo assim em legítima defesa.
Na época, a PM fechou cerco ao acampamento dos sem terras e, segundo relatos de integrantes do movimento, torturou diversos ocupantes para que fossem revelados os envolvidos no incidente. Sete homens foram presos preventivamente e o líder dos sem terra Diniz Bento da Silva, o 'Teixeirinha' ficou foragido por cinco dias. Segundo denúncia do MST, após entregar-se desarmado aos policiais diante de testemunhas, Teixeirinha teria sido torturado e executado na frente da esposa e do filho de 13 anos no dia 8 de março de 1993.
Ainda conforme a versão dos sem terra, Teixeirinha havia se escondido da polícia, até saber que seu filho estava nas mãos dos policiais. Entregou-se, foi algemado e arrastado em direção à roça, onde moradores ouviram vários disparos de tiros. O caso teve repercussão internacional e levou o governo brasileiro a ser alvo do relatório, em 2001, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA e posteriormente ser condenado por violação do direito à vida.
Catorze policiais militares de batalhões de várias regiões do Paraná foram formalmente acusados pela morte de Teixeirinha, em denúncia oferecida à Justiça de Guaraniaçu. O processo que investigava a morte de Teixeirinha recém saiu da fase de inquérito, enquanto os sem terra irão ser julgados em júri popular.
Integrantes do MST prometem 'vermelhar' o município de Guaraniaçu para acompanhar o júri na cidade. Por outro lado, é evidente que os familiares e amigos dos policiais militares mortos deverão comparecer para acompanhar o julgamento, situação que pode acirrar os ânimos e requer atenção redobrada dos órgãos de segurança.
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