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terça-feira, 30 de outubro de 2012

#Cascavel: Ato em memória aos desaparecidos políticos

Charge: Carlos Latuff

O ferido de Finados é uma data reservada para reverenciarmos a memória daqueles que não estão conosco, entre eles, os que foram vítimas da violência. Diante disso, o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC), realizará nesta sexta-feira (02/11), atos ecumênicos em várias cidades do país em memória aos desaparecidos políticos da ditadura civil-militar no Brasil.

Em Cascavel, o ato será realizado a partir das 19h30 na Igreja Anglicana, na Rua Arnaldo Estrela, 272, Jardim Alvorada, atrás do Rancho da Candoca. Sob coordenação do reverendo Luiz Carlos Gabas, o evento terá como um dos atrativos uma palestra-espetáculo, com explanação do historiador Alexandre Fiuza, professor da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) e com apresentação do casal de músicos Sil Vaillões e Giovani Pinheiro.

A intenção do CONIC é fazer com que essa prática se torne anual, consolidando o dia 2 de novembro como Dia Nacional dos Desaparecidos Políticos. "Seus familiares, além de sofrerem a dor de uma morte nem sempre esclarecida tem um direito milenar violado, que é o de as pessoas e/ou comunidades darem um sepultamento digno a seus entes queridos e também de reverenciar a suas memórias ao visitar seus túmulos. Todos esses direitos foram negados pela ditadura", diz trecho da carta de Dom Manoel João Francisco, do CONIC. 

Segundo a organização do ato, a celebração também lembrará as vítimas de chacinas dos dias atuais. "Diariamente pessoas desaparecem ou são assassinadas, sem que seus familiares tenham respostas, assim como aconteceu na ditadura militar, um período triste de nossa história", diz o reverendo Luiz Carlos Gabas.

O ato em memória dos desaparecidos políticos em Cascavel conta com o apoio do Sinteoeste (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimento em Ensino Superior do Oeste do Paraná), APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) e do Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas do Paraná), Subseção de Cascavel. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Do Luto para a Luta, com homenagens ao 'carrasco'

Trabalhadores da educação relembram o 30 de agosto de 1988

"Estamos aqui para lembrarmos do grande carrasco dos trabalhadores da educação do Paraná, aquele que ordenou que nossos companheiros fossem recebidos a bombas e cavalos, o cidadão que hoje posa de grande moralista". Palavras disparadas ao microfone como um molotov ou bombas de efeito moral, assim como as lançadas em 30 de agosto de 1988, que foram proferidas pelo professor Jeremias Ariza, que leciona a disciplina de filosofia no CEEP (Centro Estadual de Educação Profissional) Pedro Boaretto Neto, em Cascavel.

Professor Jeremias esteve entre as centenas de funcionários da rede estadual de Cascavel que se concentraram em frente à sede do Núcleo Regional de Educação para "anticomemoração" dos 24 anos do fatídico 30 de agosto de 1988. O 'carrasco' a quem o educador se refere é o atual senador da República, Alvaro Dias (PSDB), considerado por muitos – especialmente a grande mídia de massa – um dos maiores 'arautos da moral' de nossa cambaleante democracia.  
  
Há quem questione as mobilizações do dia 30 de agosto, conhecido como o 'Dia de Luto e Luta da Educação no Paraná', há quem queira apagar da memória dos profissionais da educação a 'calorosa recepção' no Palácio do Iguaçu, há quem diga que o senador (então governador) já teria "se desculpado". "É importante relembrarmos essa data, relembrar dos companheiros que enfrentaram os cavalos e as bombas do governo, trabalhadores que foram pisoteados, mas que continuaram lutando como verdadeiros heróis", lembra o professor Amâncio Luiz dos Anjos, diretor da APP-Cascavel, pedindo uma salva de palmas aos companheiros presentes naquele protesto.

Em Cascavel, o 'Dia de Luto e de Luta' contou com uma particularidade; uma grande presença de estudantes apoiando o movimento. É o que destaca o professor Marcio Henrique Soares. "Essa é a primeira vez que vejo estudantes participando do movimento, se juntando aos professores e funcionários das escolas. A presença deles é mais importante do que de muitos 'companheiros' que aproveitam a paralisação para ficar em casa", diz o educador, conhecido também como 'Gaúcho' e que leciona no Colégio Padre Carmelo Perrone.

Marcio Henrique aproveita a oportunidade para dar uma 'cutucada' em alguns colegas que não se fazem presentes na luta. "Tem professora que prefere ficar em casa assistindo televisão, outras pintando o cabelo, cuidando das crianças, assim como alguns colegas que passam dos 40 anos e começam a dizer que estão muito velhos para estarem aqui. Ficam acompanhando tudo de casa, enquanto nós estamos dando a cara aqui a bater, buscando direitos aos quais eles também serão beneficiados e lembrando de companheiros que lutaram no passado", critica.

Histórico

Os atos ocorridos em todo o Estado neste 30 de agosto fizeram parte do tradicional Dia de Luto e Luta dos Trabalhadores da Educação.  A data é referente ao ano de 1988. Há 24 anos, os professores da rede pública de ensino foram protagonistas de uma greve iniciada no dia 5 de agosto. Eles reivindicavam a volta do piso de três salários mínimos, reduzido para dois salários em 1988. Com o intuito de forçar uma solução mais rápida para a paralisação geral – que então completava 11 dias – professores ocuparam a Assembleia Legislativa, por onde permaneceram até o dia 31.

Um dia antes, no dia 30 de agosto, foi organizado um encontro de núcleos regionais da APP-Sindicato na Praça Tiradentes, em Curitiba, e uma passeata até a sede do governo, onde então os trabalhadores foram "recepcionados" pela cavalaria da PM, com direito - além das ferraduras dos equinos e os cassetetes dos policiais -  a gás de pimenta e bombas de efeito moral.

Na época, aproximadamente 30 mil pessoas participavam da passeata. De um lado a multidão, de outro as tropas policiais. Barracas de professores acampados foram pisoteadas, manifestantes foram impedidos de entrar na Praça Nossa Senhora de Salete com carro de som.

Segundo relatos, o pavor tomou conta de todos, com bombas estourando para todos os lados, correria generalizada, transformando o centro cívico de Curitiba em uma verdadeira praça de guerra. Como saldo, vários professores feridos, alguns inclusive impossibilitados – física e emocionalmente – do retorno as salas de aulas.

Questionado hoje em dia sobre o fato, o atual senador Alvaro Dias defende-se afirmando que o triste episódio sempre "foi explorado politicamente e com má fé e que na ocasião foi administrado dentro das possibilidades".  Segundo a sua versão, "outras categorias" de trabalhadores teriam se infiltrado na manifestação para provocar tumultos e a cavalaria estaria no local para dar "segurança aos manifestantes".

Solidariedade de classe

Representantes de sindicatos de outras categorias estiveram presentes no ato deste 30 de agosto. Isso demonstra que manifestações e mobilizações (mesmo organizadas por determinadas categorias) não precisam ser necessariamente corporativistas. São nos atos públicos que trabalhadores mostram sua solidariedade. Oportunidade em que se deixam de lado as categorias (profissões) para se afirmar como classe (trabalhadora).