segunda-feira, 2 de julho de 2012

Acampados cobram criação de assentamento

Ato em defesa da reforma agrária no 1º de Maio
Trabalhadores rurais Sem Terra das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná participaram no sábado (30/06) de um ato em defesa da Reforma Agrária no Acampamento 1º de Maio, nas proximidades do distrito de Rio do Salto, interior de Cascavel.

A atividade organizada em conjunto pelas brigadas José Martí e Teixeirinha cobrou maior agilidade na criação de um assentamento na área ocupada em maio de 2009 na Fazenda Castelo. A efetivação da Reforma Agrária da fazenda vem sendo intermediada pela secretaria especial de Assuntos Fundiários do governo do Paraná.

Segundo o secretário Hamilton Seriguelli, a negociação da Fazenda Castelo está sendo o processo mais difícil da região. "Aqui é onde estamos encontrando as maiores dificuldades para uma resolução do impasse junto ao proprietário, seria muito mais fácil se ele aceitasse vender a área ocupada ao Incra, mas ele não está tendo essa sensibilidade", disse.

O proprietário da fazenda, o secretário municipal de Saúde de Cascavel, Ildemar Canto, não aceita negociar a área com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). O MST ocupou o terreno de 400 alqueires, onde passaram a viver 240 famílias, que produzem alimentos sem uso de agrotóxico, que é comercializado em pequenos comércios do distrito de Rio do Salto.

O Sem Terra Nildemar da Silva, um dos coordenadores da Brigada José Martí, lembra da história das famílias do 1º de Maio. "Esse acampamento foi formado em 2009, mas esse grupo está junto há mais de 13 anos. É longa e árdua luta dessas famílias embaixo das lonas pretas. Por aqui foi instalada essa luta contra o latifúndio, uma terra onde o proprietário não pagou um centavo sequer, somente demarcou a área, colocou cercado e passou a ser sua. Essa fazenda tem cerca de 36 mil hectares, isso representa um município de pequeno porte".

O militante destaca que a luta dos movimentos sociais ultrapassa a conquista da terra. "Não se trata apenas de conquistar um lote e enfrentar o latifúndio, mas também de transmitir nosso conceito de educação para os nossos filhos e netos, de resistir na terra, isso é a luta pela nossa existência e cultura".  Para ele, a cultura camponesa vem perdendo espaço no campo brasileira diante da ofensiva do agronegócio.

Golpe no Paraguai


O recente golpe no Paraguai que derrubou o presidente eleito Fernando Lugo também foi lembrando no ato pelo militante Ramon Brizola, da Coordenação Estadual do MST do Paraná. Ele participou do protesto que reuniu cerca de 4 mil pessoas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, que fechou a Ponte da Amizade por cerca de uma hora e meia na última sexta-feira (29/06).

Brizola apresentou aos presentes um panorama da situação no país vizinho e a orquestração do golpe que, segundo Brizola, teve participação direta de latifundiários brasileiros com terras no Paraguai. "Esse golpe vinha sendo planejado há mais de um ano pela elite fundiária paraguaia, descontente com o presidente Lugo, se elegeu com a promessa de promover a reforma agrária no país".

O dirigente do MST destacou a participação dos grandes meios de comunicação na tentativa de legitimar o golpe. "Precisamos cuidar com o que vemos na televisão, a mídia está usando o argumento da Constituição, mas não destaca que o presidente não teve o direito amplo de defesa e que o despejo de terra que culminou na morte dos policiais foi por ordem do Judiciário paraguaio e não da Presidência da República".

Para Ramon Brizola, é preciso prestar solidariedade aos irmãos paraguaios e a qualquer atentado a democracia em nosso continente. "Precisamos ultrapassar a barreira de estados e países, pois o capital que nos oprime aqui é o mesmo que oprime os irmãos dos demais países latino-americanos", concluiu.

Um comentário:

  1. Alceu A. Sperança3 de julho de 2012 11:44

    O governo é um leão quando se trata de financiar transnacionais e engordar banqueiros mas é um grilo quanto a avançar na Reforma Agrária.

    Um grilo que, aliás, mais tem beneficiado grileiros que os brasileiros que sofrem à espera de inclusão social pela terra.

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