quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Embaixador da Palestina cumpre agenda em Curitiba

Ibrahim Alzeben ministra palestra e atenderá jornalistas
O acirramento do conflito entre Palestina e Israel chamou a atenção de todo mundo ao longo deste ano. Com base neste interesse o embaixador do Estado da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, cumprirá uma série de atividades públicas em Curitiba nesta quinta (6/11) e sexta-feira (7/11).

As atividades oficiais do embaixador Ibrahim Alzeben tem início na manhã de quinta-feira com uma audiência marcada para às 9h30 na prefeitura de Curitiba com o prefeito Gustavo Fruet. De lá o representante palestino no Brasil segue para a Câmara Municipal de Curitiba onde, às 11h30, conversa com vereadores.

O embaixador ainda ministrará uma palestra no auditório do Campus Tiradentes da Faculdade Uninter. A exposição intitulada “Palestina: História de Genocídios e de Esperanças” – Reflexões sobre a complexidade da região da Palestina, terá análises sobre temas centrais da vida na Palestina, como perda território e os embates com Israel. A atividade terá início às 19h30 na Rua Saldanha Marinho, 131, Centro de Curitiba.

Na sexta-feira [07] Alzeben concederá entrevista coletiva no Salão Nobre da  Mesquita Imam Ali ibn Abi Tálib. O horário marcado é 10 horas na Rua Dr. Kellers, 383 - Bairro São Francisco.

 Serviço: Visita do embaixador da Palestina à Curitiba

Dia 06
09h30 :: Reunião na Prefeitura de Curitiba com prefeito Gustavo Fruet
11h30 :: Reunião com vereadores na Câmara Municipal
19 horas :: Palestra “Palestina: História de Genocídios e de Esperanças”na Uninter.

Dia 07
10 horas :: Entrevista Coletiva no Salão Nobre da  Mesquita Imam Ali ibn Abi Tálib

Mais informações:
Ualid Rabah :: (41) 9682.7729
Gustavo Vidal :: (41) 9195.6363


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"Zero, Zero e confirma": Para além da hora do voto

Professor Péricles, do Grupo Movimento 
Matéria originalmente publicada na Gazeta do Paraná em 26 de setembro de 2010. Republicada no blog devido a proximidade das eleições. 

Entramos na semana derradeira, decisiva para aqueles que pretendem nos representar. Nos próximos dias, a população já acostumada com a poluição visual proporcionada pelos milhares de cavaletes e bandeiras com algarismos eleitorais espalhados por canteiros centrais, terá que se preparar para  cartada final de candidatos que intensificarão seus trabalhos de convencimento, seja pelo corpo a corpo com o eleitorado, ou pela ação direta e indireta de seus cabos eleitorais.

Além das propagandas e promessas – muitas não aplicáveis – nessa fase também ouvimos discursos sobre o exercício da cidadania, que versam sobre o direito e consciência do voto, com lemas como “momento de pensar os próximos quatro anos”. Porém, há quem discorde dessa conjuntura, onde se discute política somente em época eleitorais e vejam nesse momento uma grande oportunidade de protestar e ampliar o debate político para além das urnas.

Diante de uma posição de descrença política, a melhor alternativa para alguns passa ser negar o voto a todos os candidatos. Na medida em que aumentam os escândalos e casos de corrupção, também cresce uma camada que, apesar de ainda não passar de 4% do eleitorado, vem ganhando força. A cada eleição aumenta o número de “Comitês do Voto Nulo” pelo país, alguns mais radicais ao estilo “Rauzito”, pregando a “não nutrição de parasitas” e outros que propõe um debate além do voto, discutindo temas como direito dos trabalhadores, voto facultativo e, especialmente, a democracia direta (participativa).

Grupo Movimento

Em Cascavel, o Grupo Movimento, que reúne estudantes e trabalhadores, organiza a campanha pelo Voto Nulo. Apesar de saber que anulação não tem resultado prático no sistema eleitoral, o grupo afirma que o Voto Nulo é uma maneira de protestar e iniciar um debate que não termina com a posse dos eleitos.

O professor de história, Péricles Ariza, um dos integrantes do comitê, esclarece que o momento não é contrário as eleições em si, mas sim a forma como se apresenta. “Não negamos as eleições, tanto é que comparecemos as urnas e damos nossos votos. Somos favoráveis as eleições até certo ponto, ao invés dela enfatizar somente a democracia representativa, ela deveria mostrar como funciona uma democracia direta, onde as pessoas realmente têm voz”.

Segundo o historiador, o Voto Nulo além de ter o caráter de protesto, também tem o sentido de provocar os partidos, especialmente os que dizem representar a classe trabalhadora. “Num primeiro momento é uma forma de protesto, a corrupção por si só já um ótimo motivo para o voto ser anulado, ma a gente não pode parar nisso. O objetivo também é provocar os partidos, especialmente os de esquerda, a defenderem programas que levem a resolução definitiva de problemas como o desemprego”.

Péricles afirma que a democracia representativa pode “pregar uma peça” no eleitor que muitas vezes escolhe a opção de votar no “indivíduo candidato”. “Muitos se iludem e votam em determinada pessoa e suas promessas, mas por trás destes indivíduos estão os partidos e seus programas partidários, que são paliativos e não resolutivos”.

Nulo e Branco

Para contrariar alguns “mitos” e discursos propagados, Péricles faz questão de ressaltar a diferença entre o Voto Nulo e Voto em Branco. “O voto em branco é aquele que aparece na urna. O seu significado é do “tanto faz”. Já no voto nulo você dizendo não para todos eles, ele tem esse caráter de protesto que o branco não tem. O branco é voto da isenção. Muitos dizem que estamos perdendo um direito, mas é o contrário, nós estamos exercendo esse direito votando nulo, usando um direito como protesto e ao mesmo tempo organizando as pessoas que estão desacreditadas com esse sistema. Os partidos que vencerão essas eleições não tem projeto de uma nova sociedade”, dispara.

Aristóteles 

O historiador, que também estuda Filosofia, tem uma forma curiosa de avaliar discursos sobre cidadania, peculiares em momentos eleitorais, usando como exemplo o filósofo Aristóteles. “Esse discurso cidadão serve para arrebanhar as pessoas para legitimar o governo e seus candidatos. Aristóteles dizia que na política tem momentos que o povo quer ser soberano. No momento do voto os poderosos precisam bajular as pessoas porque eles querem ser soberanos. Veja no ambiente de trabalho, por exemplo, não podemos exercer cidadania, apenas executar ordens. Depois que acaba eleição, a cidadania acaba. Depois de eleitos, ai vem o ‘exame de próstata’ no povo”.

“Intolerância democrática”

Eleição lembra democracia e livre opinião, porém a prática nem sempre é respeitada, inclusive por quem usa o discurso para angariar votos. O Grupo Movimento sentiu isso na pele durante uma manifestação recente no calçadão da Avenida Brasil. Tudo aconteceu em uma panfletagem em frente ao Café Boca Maldita, ponto tradicionalmente utilizado para tais discussões.

No instante da panfletagem, um candidato a deputado estadual fazia campanha do outro lado da avenida, em frente à Catedral. Incomodado com a panfletagem pelo voto nulo, o postulante a uma vaga na Assembleia foi ao encontro dos manifestantes. “Ele deve ter se sentido incomodado e foi até nós pedir para que a gente largasse mão daquilo. Ele inclusive falou pra gente ir trabalhar com ele, que ele pagava bem os cabos eleitorais”.

Depois da tentativa de “compra de consciência”, um dos integrantes do grupo acabou respondendo o candidato. “Um de nós falou que a diferença entre nós e ele é que a gente não estava ali fazendo algo por dinheiro e sim convicção, e falo que não compactuava com essa corja de ladrões. Se sentindo ofendido, ele levantou voz e pediu pra retirarmos o que falamos e tentou nos intimidar pedindo nomes e onde trabalhávamos, mas enfim, esse foi um fato isolado, mas acontece”.

O historiador fez questão de esclarecer que o material do grupo não tem nenhum direcionamento pessoal a candidato ou partido. “Nós questionamentos a estrutura, nossos cartazes e panfletos não são direcionados a ninguém, não há críticas pessoas, mas ele se ofendeu”, completou.

Curiosa e coincidentemente, a reportagem presenciou outro episódio. No momento em que a entrevista acontecia em frente a uma construção próxima a Unipar, um jovem parou seu carro foi ate onde acontecia a entrevista e, sem dizer uma única palavra, rasgou cartazes do movimento que estavam em um tapume. Com uma ‘educação’ de dar inveja (sic), o rapaz incorporou uma espécie de ‘inspetor ambiental’, dizendo que estaríamos sujando a construção, sem mencionar qual sua relação com a obra, que por sinal, estava emporcalhando a calçada com seus entulhos. Outro detalhe é que os cartazes estavam colados no local há mais de uma semana.

Bandeiras

Além do Voto Nulo, o Grupo Movimento levanta outras bandeiras: Defesa da democracia direta, por meio de conselhos, assembleias, sindicatos, associações independentes e DCEs; Luta contra o desemprego, demissões e achatamento salarial; Defesa da redução da jornada de trabalho, sem redução de salários; Reajuste automático dos salários de acordo com a elevação dos preços; Criação de frentes públicas de trabalho nas cidades; Criação de frentes de trabalho no campo, por meio de fazendas públicas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O decreto "bolivariano" e a desinformação

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Na condição de militante da comunicação, dois pontos me chamaram atenção no embate entre os "presidenciáveis", ambos protagonizados pelos imparciais Boris Casoy e José Paulo Andrade - escolhidos a dedo por seus históricos. Particularmente, acho que o Pannuzio se portou bem. Um deles é sobre o Decreto Federal nº 8.234, de 2014, que institui a Política Nacional de Participação Social.

Chamado de "bolivariano" pelo jornalista da Band News, tal decreto é até bastante tímido, pois simplesmente regulamenta conselhos de política pública, comissões e conferências que já existem e vem sendo adotadas pelos governos Lula e Dilma. É tão somente uma tentativa de institucionalizar mecanismos como conselhos de políticas públicas, mesas de diálogo, audiências públicas, ouvidorias, consultas, plebiscitos, entre ouros mecanismos.

Portanto, a esses teóricos do caos e da desinformação, não estamos diante de uma "revolução social" - apesar dos brados de "chavismo". Me estranhou que o José Paulo Andrade não usou o termo "bolchevização". Assim como vem acontecendo nos últimos meses no Congresso Nacional, onde vários parlamentares se revezam na tribuna para fazer discursos "desesperados" na tentativa de anular tal decreto, o jornalista tabelou com um dos candidatos para caracterizar o medo da elite de qualquer possibilidade de "poder popular", conseguiram transformar a palavra "democracia direta" em artifício de "ditaduras". 

E a pergunta é: por que tanto barulho? Qual é o temor em possibilitar a movimentos sociais e setores organizados da sociedade com espaços minúsculos em instâncias que na maioria das vezes tem papel meramente consultivo?

Esse tipo de ofensiva articulada entre a grande mídia, determinados políticos e alguns setores da sociedade nos levam a crer que toda essa história de reforma política não passa de retórica, pois muitos não irão permitir nenhuma mudança do sistema político atual. 

Quando até mesmo um tímido decreto de "participação social" causa tanto pânico só podemos ratificar que a democracia só pode ser uma mera formalidade. O mesmo jornalista ainda mostrou-se "arrepiado" com a possibilidade da realização de plebiscitos no país. 

O pavor pelo Decreto º 8.243 comprova que não haverá qualquer mudança nas atuais regras que privilegiam os grandes grupos econômicos. O segundo ponto que me chamou atenção é a tentativa de confundir quem pouco sabe sobre o marco regulatório dos meios de comunicações - algo presente em diversos países pelo mundo - pela velha bravata da "censura".

domingo, 24 de agosto de 2014

Panfletagem em Cascavel cobrou maior valorização aos jornalistas

Ato do Sindijor no calçadão central de Cascavel
Lemos jornais, acompanhamos noticiários na televisão ou no rádio, ou ainda nas redes sociais, mas nem todos conhecem o cotidiano de trabalho de grande parte dos jornalistas. Com o objetivo de informar a realidade da profissão à população e cobrar maior valorização à categoria, jornalistas de Cascavel foram às ruas neste sábado (23/08) e realizaram uma panfletagem no calçadão da Avenida Brasil.

O objetivo do ato - organizado pela Subseção Regional do Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná) - foi explicar à sociedade a dificuldade que os profissionais estão tendo para fechar a Convenção Coletiva de Trabalho de 2014, além de expor a situação de precarização, pressão e assédio que muitos trabalhadores sofrem em alguns locais de trabalho.

Além de abordar a luta pelo aumento real e o fato dos sindicatos patronais não "aceitarem" negociar nada além da reposição da inflação, o informativo entregue a população nas ruas trouxe questões como acúmulo de trabalho e de funções, pressões, jornada excedente, horas-extras não pagas, falsos estágios, desrespeito ao piso salarial, ao anuênio, ingerência de terceiros, contratos precários ou registros irregulares, ameaças e assédio moral.

Os meios de comunicação do Paraná inicialmente apresentaram “proposta” de redução do piso salarial no interior do Estado. Após manifestações da categoria, os empresários tiraram o “bode da sala”. Depois disso, os patrões propuseram assinar a convenção apenas com a reposição da inflação, sem a discussão de nenhuma outra cláusula prevista em nossa pauta de reivindicações. "A verdade é que os problemas da categoria nunca foram tão omitidos pelas empresas de comunicação como vem acontecendo atualmente", comenta Júlio Carignano, diretor do Interior do Sindijor. 

No dia 04 de agosto, o Sindijor-PR e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná encaminharam documento com o resultado das assembleias, onde a proposta patronal foi rechaçada, porém essa semana nos foi enviado outro ofício dos representantes patronais, onde afirmam que não dá pra avançar.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Cimi: Pelo menos 53 índios assassinados em 2013

Comunidade Guarani de Diamante do Oeste (PR) | Foto: Júlio Carignano
O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) divulgou nesta quinta-feira, dia 17 de julho, relatório sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil. Segundo o órgão, das 1.047 áreas reivindicadas por povos indígenas, apenas 38% estão regularizadas. Os assassinatos, um total de 53 vítimas, são consequência de conflitos pela disputa por terras e da omissão do governo federal. Confira abaixo os números apresentados pelo relatório.

- Violência contra o patrimônio: 97 casos

- Conflitos relativos a direitos territoriais: 10 casos

- Invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio: 36 casos

- Assassinato: 46 casos (53 vítimas)

- Tentativa de assassinato: 29 casos (328 vítimas indígenas, estudantes e 4 comunidades)

- Homicídio culposo: 10 casos (13 vítimas)

- Ameaça de morte: 10 casos (14 vítimas indígenas e várias comunidades)

- Ameaças variadas: 10 casos (35 vítimas indígenas e várias comunidades)

- Lesões corporais dolosas: 7 registros (8 vítimas e 1 comunidade)

- Abuso de poder: 2 casos (6 vítimas e 1 comunidade)

- Racismo e discriminação étnico cultural: 23 ocorrências (3.618 vítimas indígenas, várias comunidades e povos do Brasil)

- Violência sexual: 11 casos (10 vítimas e 1 comunidade)

- Suicídio: 54 casos (56 vítimas)

- Desassistência na área de saúde: 44 casos (437 vítimas)

- Morte por desassistência à saúde: 6 casos (7 vítimas)

- Mortalidade infantil: 5 casos (6 vítimas)

- Disseminação de bebida alcoólica e outras drogas: 4 casos (3.215 vítimas)

- Desassistência na área de educação escolar indígena: 22 casos (467 vítimas)

- Desassistência geral: 39 casos (3.826 vítimas)


Fonte: Cimi

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O compromisso do governo com os monopólios da comunicação

Nildo em seminário na Unioeste (Cascavel), em 2011
* Nildo Ouriques

O programa ‘De Zurda’ é do canal venezuelano TELESUR. Nós brasileiros não podemos ver em canal aberto. Não creio que TELESUR representa um projeto revolucionário de televisão; longe disso. Nem em conteúdo e menos ainda em estética e linguagem. No entanto é infinitamente mais aberto e melhor quando comparado com qualquer "coisa" que sofremos aqui.

Ainda que a torcida argentina cante que Maradona é melhor que Pelé (como poderia ser diferente!?), os gritos são incapazes de mudar a arte e os números do Rei. Tal reconhecimento não me impede de ver a arte de Maradona e sua posição política no contexto argentino. Bueno, por aqui o governo não quer nem tocar no controle que a burguesia exerce sobre os meios de comunicação. A base difusa que apoia o governo se ilude com a simulação quando um assessor de quinta ou o "sub do sub do sub" (Rui Falcão, por exemplo) DIZ algo sobre uma possível “democratização dos meios de comunicação”, geralmente em períodos próximos a alguma eleição. Mas tudo fica na declaração, como a vida prova.

Aqueles que apoiam o atual governo como expressão do horizonte político possível entre nós, deveriam pensar seriamente nas contradições e na correlação de forças existente na sociedade brasileira que permitem e EXIGEM mudanças e rupturas que mais cedo do que tarde ocorrerão. Aqueles que calam sobre as limitações e compromissos com as classes dominantes do atual governo esquecem que precisamente neste silêncio prospera a "direita" e o conservadorismo que supostamente pretendem combater.


* Economista e professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Nildo Ouriques é doutor pela UNAM (Universidade Autônoma do México). Atualmente coordena o IELA (Instituto de Estudos Latino Americanos). 

Quem quiser conferir o programa De Zurda, ele está disponível nas redes sociais, pelo Youtube e pelo Facebook: https://www.facebook.com/DeZurda

quinta-feira, 3 de julho de 2014

#jornalistasmobilizados: Até onde irá a intransigência patronal?

No dia 1º de julho completou-se dois meses da data base dos jornalistas paranaenses. A negociação está travada por uma proposta dos empresários dos meios de comunicação do Estado, em especial do interior, que querem a todo custo reduzir o piso mínimo de seus trabalhadores.

Querem retirar uma conquista histórica da categoria: o piso unificado estadual. Piso este que muitos destes empresários sequer respeitam atualmente, ou seja, querem legalizar uma irregularidade que já acontece nas cidades do interior: jornalistas recebendo abaixo do piso e trabalhando em carga horária superior a cinco horas previstas na CLT (sem remuneração de hora extra) e sob a forte pressão de assédios morais dos mais variados tipos.

A principal "justificativa" dos representantes dos patrões é a dificuldade dos empresários manterem seus negócios. Uma "dificuldade" questionável pelos números apresentados pelo projeto Intermeios e o Diesse, que provam o contrário, mostrando que todos os segmentos da mídia (TV, impresso e rádio) tiveram crescimento significativo em seus faturamentos, especialmente quando comparado a desvalorização do salário de seus trabalhadores. Se há a dificuldade, que usem a criatividade em seus setores comerciais, se reciclem, mas não busquem cortar daqueles que são os verdadeiros responsáveis pela lucratividade de suas empresas. 

Na última segunda-feira (30/06), a direção do Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas do Paraná) tentou reabrir o diálogo, porém eles seguem tentando nos empurrar goela abaixo uma "proposta" já rechaçada pelos trabalhadores em assembleias e por abaixo assinados. A única resposta para os trabalhadores na mesa foi: "SÓ NEGOCIAMOS COM A REDUÇÃO DO PISO (sic)!".

Enquanto outros sindicatos pelo país usam o exemplo do Paraná para lutar por piso unificado, nossos patrões paranaenses querem retroceder com uma proposta ridícula de diferenciar trabalhadores do interior e da capital. As perguntas que não querem calar: Qual o objetivo dos empresários em protelar a data base, uma vez que eles sabem que uma proposta de redução do piso já foi descartada amplamente pelos jornalistas? Até onde irá a intransigência dos sindicatos patronais?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tradicionalismo se rende ao "casal" Heros e Maria Vitória

Dellavega exibe prêmio conquistado em Foz
Os 'sitiantes' que acompanham esse blog sabem que ele busca valorizar a arte e cultura - especialmente a produção independente. Nesse sentido, o Sítio Coletivo abre novamente a porteira ao camarada violeiro Heros Dellavega, que no início deste mês teve mais um reconhecimento do seu trabalho.

Cantor, compositor, instrumentista, poeta e pesquisador da música popular brasileira, Heros foi um dos protagonistas do XII Encontro das Águas, realizado entre os dias 1º e 4 de maio, em Foz do Iguaçu. Festival nativista, o evento congrega artistas das três pátrias lindeiras (Brasil, Argentina e Paraguai).

O violeiro foi premiado com o 1º lugar na categoria 'Música e Composição Instrumental', com a música Poconé, que faz parte do repertório do seu álbum O Compositor da Lua. Poconé é um típico município pantaneiro do Mato Grosso do Sul, com pouco mais de 31 mil habitantes.

Heros Dellavega foi o primeiro músico na história do festival Encontro das Águas a ganhar o premio tocando viola caipira, quebrando a tradição da sanfona e da gaita. "Tiveram que se dobrar a minha viola ‘Maria Vitória’", brinca.

O cascavelense destacou a importância do festival, um dos principais do gênero no país e fez um agradecimento especial no mês das mães. "Agradeço principalmente minha mãe, dona Maria Volski Dellavega, além de toda minha família, amigos que por onde eu passo nesse Brasil sem fronteiras tocando minha viola estão sempre ao meu lado me dando forças".

Quem quiser conhecer mais sobre o violeiro "Sete Flecha", pode acessar outra postagem do Sítio:
http://sitiocoletivo.blogspot.com.br/2011/05/heros-dellavega-talento-do-velho-oeste.html

sábado, 3 de maio de 2014

Pele vermelha, liberdade de imprensa é isso...

Pois bem sitiantes, o assunto é novamente imprensa. Gostaria de ser breve, mas são tantas datas que me confundo e me estendo: é dia de jornalista, do repórter, do comunicador, da imprensa e da liberdade dela. Dias atrás foram congratulações pelo Dia do Jornalista, momento que o "colaborador" se sente valorizado com tapinhas nas costas, bombonzinhos e as palavras orgulhosas de suas progenitoras.

Neste dia 3 de maio é lembrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e no dia 7 de junho será a vez de "comemorarmos" o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. Como essa "liberdade" pode variar de órgão para órgão, estado para estado e país para país, porque não termos um dia mundial e outro nacional. Só falta agora o estadual e municipal (sic).

Mas essa tal de "liberdade de imprensa" remete a reflexão, uma pulguinha atrás da orelha e uma pergunta ao estilo dos ancestrais tradicionais. Um deles diria: “liberdade de quem e para quem, cara pálida?”.

Confesso que realmente acredito no conto da liberdade de imprensa, ou melhor, "da imprensa", afinal a mídia tradicional está cada vez mais livre, leve e solta para dizer o que bem entender, inclusive para difamar quem quiser e quando quiser, livre também para - quando necessário - omitir e manipular.

A imprensa é livre para promover censura prévia aos seus "colaboradores" por meio de pautas com conteúdos regidos pelo departamento financeiro e comercial; livre para promover monopólios e oligopólios, fazer propriedade cruzada, contratos comerciais e acordos publicitários antiéticos com governos municipais, estaduais e federal.

Temos liberdade de imprensa para promover preconceito, seja ele de credo, gênero, raça, sócioeconômico ou de orientação sexual. Há liberdade para - em nosso estado laico - praticarmos proselitismo religioso para sustentação financeira de grandes igrejas por meio de concessões públicas de rádio e televisão.

Liberdade de imprensa que também passa pelas facilidades dessas concessões estarem nas mãos de grupos econômicos e políticos, visto que em Brasília dezenas de congressistas detêm concessões, fora aquelas que estão nas mãos de seus "laranjas". Sem falar dos meios impressos que não precisam dessa “autorização previa”. Facilidade essa que se contrapõe a dificuldade burocrática àqueles que querem instituir uma rádio ou televisão comunitária.

Também temos a "liberdade" de não seguirmos o Capítulo V de nossa Constituição Federal, que versa sobre Comunicação Social, afinal vários itens ainda não foram regulamentados. Viram, querem coisa mais "libertária" que não seguirmos a constituição?...

Vejam o caso do artigo 220, em seu parágrafo 2º: "É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística". Já o parágrafo 5º traz: "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio e oligopólio".


Por último o artigo 221, que fala sobre a produção: "I - preferência a finalidade educativas, artísticas, culturais e informativas/ II - promoção cultural nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação/ III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística".

Enfim, depois de todas essas particularidades, não há como não acreditar no conto da liberdade da imprensa, afinal não precisa estar acompanhada de "liberdade de expressão". Não me espanta a mídia tradicional, os grandes meios de comunicação, fazerem oba-oba nessas datas comemorativas.

Respondendo a pergunta do ancestral acima: "liberdade de empresa é isso, pele vermelha".  

sábado, 26 de abril de 2014

Ato marcará Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho

Péssimas condições de trabalho em frigoríficos será um dos focos
O Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, 28 de abril, será lembrado com ato público em Cascavel. O evento é organizado pelo SintiAcre (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Cascavel), Sindepospetro (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Cascavel e Região), APP-Sindicato-Núcleo Cascavel, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e Paróquia da Ascensão da Igreja Anglicana.

A concentração será a partir das 9 horas, na Boca Maldita, no calçadão da Avenida Brasil. Os manifestantes farão caminhadas até o Ministério do Trabalho e o INSS, onde entregarão uma carta aberta à população. O principal objetivo é chamar a atenção da sociedade para a gravidade dos acidentes de trabalho no Brasil, especialmente denunciar as péssimas condições de trabalho a que estão expostos os trabalhadores de frigoríficos avícolas e de carnes na região Oeste do Paraná.

As doenças do trabalho são comuns no processo de produção dos frigoríficos, pois a organização do trabalho geralmente ocorre em linhas de montagem, especialmente nas nórias, onde os frangos são pendurados, causando LER (Lesões por Esforço repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), além dos casos de mutilados. "Esses trabalhadores estão expostos a carga excessiva de jornada de trabalho, ambientes insalubres, gestos repetitivos, hora determinada para ida ao banheiro ou beber água", comenta o reverendo Luiz Carlos Gabas, da Igreja Anglicana de Cascavel.

Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), divulgados em 2013, 2 milhões de pessoas morrem por ano por conta de doenças ocupacionais no mundo. Já o número de acidentes de trabalho fatais ao ano chegam a 321 mil. Neste panorama, a cada 15 segundos, um trabalhador morre por conta de uma doença relacionada ao trabalho. No Brasil, são quase 4 mil mortes anualmente em decorrência de acidentes de trabalho. Os dados da OIT colocam o país como quarto colocado no ranking mundial de acidentes fatais de trabalho.

Porque 28 de abril?

Em 28 de abril de 1969, a explosão de uma mina nos Estados Unidos matou 78 trabalhadores. A tragédia marcou a data como o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho. Encampando essa luta, mas com foco na prevenção, a Organização Internacional do Trabalho instituiu em 2003 o 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

7 de abril: Aos 'mal-ditos' cães de guarda

Spider Jerusalem, repórter que protagoniza
a série em quadrinhos 'Transmetropolitan'
Dia 7 de abril é lembrado o 'dia do jornalista', profissional por vezes amado por vezes odiado, mas especialmente pouco valorizado. Por vezes submisso, por vezes transgressor, alguns burocráticos, outros 'errantes', nômades em busca de novas oportunidades, da história perfeita ou do próximo destino indicado pelo local do freela na passagem do busão.

Afirmar que a data é momento de reforçar lutas para necessidade da valorização da profissão e do profissional jornalista é natural (e obrigatório), então vale lembrar daquele profissional cada vez mais distante das redações, 'malditos' jornalistas que servem de inspiração para alguns e são sinônimos de transgressão para outros pelo simples fato de terem e emitirem opinião, não se contentando com estado natural das redações (cada vez mais geladas e lineares) no status quo midiático.

Aqueles que não querem brilhar como 'estrelas', não se importam com badalação, não querem dar 'carteiraço', tampouco são vislumbrados com a função, pois a desempenham com prazer e, sobretudo, com qualidade para que ela atinja o interesse público.

Não se preocupam com status diferenciado, não querem agradar superiores ou apenas 'mostrar serviço', fazendo conchavo ou média com as chamadas fontes oficiais, sejam elas do poder público, privado ou do Estado policial. Não querem levar a frente apenas a transmissão de pensamento daqueles que assinam suas carteiras (quando assinam!). Não querem ser meros porta-vozes dos poderosos.

Não se importam com a transgressão de regras pré-estabelecidas, em alertar para o 'terrorismo' que muitas vezes acontece no interior de redações, mesmo que isso lhe custe a garantia do retorno à ela ou que seja uma passagem direta o setor de recursos humanos da empresa. Aceitam ir do inferno ao céu desde que sua liberdade não seja cerceada, pois "um jornalista sem voz é como um animal castrado".

Querem usar palavras para dizerem verdades inconvenientes – que muitos não enxergam e outros fingem não existir. Miram cidades depravadas e viciadas de costumes atrasados, atitudes autoritárias e repletas de falsos moralismos como uma grande oportunidade de denunciar verdades óbvias ocultas nas quantidades excessivas de informações.

Suas lutas vão desde lutar contra limites de caracteres até as propagadas linhas editoriais. Profissionais independentes que incomodam governos e os 'barões da comunicação'. Profissionais que gostam do povo, das personagens, vêem nelas mais importância que a pauta em si. Não suportam telefones ou emails, gostam do contanto com as fontes, gostam de pisar no barro.

Para alguns o cigarro é o maior companheiro, para outros o café serve para 'aliviar' a tensão e servir de inspiração. Não estão preocupados com a repercussão de sua ‘anti-convencionalidade’ ou a estereotipagem que isso poderá acarretar. Por vezes escreve com ironia algumas situações em uma tentativa incessante e desesperada de fugir de suas angústias.

A todos esses 'malditos' – por vezes geniais e sempre geniosos – os parabéns pelo dia do j
ornalista, lembrando especialmente os que já se foram e ensinaram muitos. Profissionais que como citou o filósofo Karl Marx são a 'boca e olho onipresente', verdadeiros 'cães de guarda públicos'.