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sábado, 3 de maio de 2014

Pele vermelha, liberdade de imprensa é isso...

Pois bem sitiantes, o assunto é novamente imprensa. Gostaria de ser breve, mas são tantas datas que me confundo e me estendo: é dia de jornalista, do repórter, do comunicador, da imprensa e da liberdade dela. Dias atrás foram congratulações pelo Dia do Jornalista, momento que o "colaborador" se sente valorizado com tapinhas nas costas, bombonzinhos e as palavras orgulhosas de suas progenitoras.

Neste dia 3 de maio é lembrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e no dia 7 de junho será a vez de "comemorarmos" o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. Como essa "liberdade" pode variar de órgão para órgão, estado para estado e país para país, porque não termos um dia mundial e outro nacional. Só falta agora o estadual e municipal (sic).

Mas essa tal de "liberdade de imprensa" remete a reflexão, uma pulguinha atrás da orelha e uma pergunta ao estilo dos ancestrais tradicionais. Um deles diria: “liberdade de quem e para quem, cara pálida?”.

Confesso que realmente acredito no conto da liberdade de imprensa, ou melhor, "da imprensa", afinal a mídia tradicional está cada vez mais livre, leve e solta para dizer o que bem entender, inclusive para difamar quem quiser e quando quiser, livre também para - quando necessário - omitir e manipular.

A imprensa é livre para promover censura prévia aos seus "colaboradores" por meio de pautas com conteúdos regidos pelo departamento financeiro e comercial; livre para promover monopólios e oligopólios, fazer propriedade cruzada, contratos comerciais e acordos publicitários antiéticos com governos municipais, estaduais e federal.

Temos liberdade de imprensa para promover preconceito, seja ele de credo, gênero, raça, sócioeconômico ou de orientação sexual. Há liberdade para - em nosso estado laico - praticarmos proselitismo religioso para sustentação financeira de grandes igrejas por meio de concessões públicas de rádio e televisão.

Liberdade de imprensa que também passa pelas facilidades dessas concessões estarem nas mãos de grupos econômicos e políticos, visto que em Brasília dezenas de congressistas detêm concessões, fora aquelas que estão nas mãos de seus "laranjas". Sem falar dos meios impressos que não precisam dessa “autorização previa”. Facilidade essa que se contrapõe a dificuldade burocrática àqueles que querem instituir uma rádio ou televisão comunitária.

Também temos a "liberdade" de não seguirmos o Capítulo V de nossa Constituição Federal, que versa sobre Comunicação Social, afinal vários itens ainda não foram regulamentados. Viram, querem coisa mais "libertária" que não seguirmos a constituição?...

Vejam o caso do artigo 220, em seu parágrafo 2º: "É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística". Já o parágrafo 5º traz: "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio e oligopólio".


Por último o artigo 221, que fala sobre a produção: "I - preferência a finalidade educativas, artísticas, culturais e informativas/ II - promoção cultural nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação/ III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística".

Enfim, depois de todas essas particularidades, não há como não acreditar no conto da liberdade da imprensa, afinal não precisa estar acompanhada de "liberdade de expressão". Não me espanta a mídia tradicional, os grandes meios de comunicação, fazerem oba-oba nessas datas comemorativas.

Respondendo a pergunta do ancestral acima: "liberdade de empresa é isso, pele vermelha".  

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sítio Coletivo: um ano de luta!

Há exatamente um ano, a porteira deste sítio foi aberta. Ele foi criado de forma despretensiosa, especialmente por manter minha ânsia pela escrita mesmo distante das geladas e lineares redações tradicionais. Despretensões a parte, a intenção do Sítio Coletivo sempre foi se pautar pelos preceitos da liberdade de expressão, da função social do jornalismo e do contraponto de discursos homogêneos que acabam se tornando hegemônicos.

Esse espaço foi concebido na mesma data em que se comemora o 'Dia Mundial da Liberdade de Imprensa', um debate que sempre esteve presente por aqui. Nunca questionei a se há liberdade da imprensa, pois acredito que ela é plena, inclusive a liberdade de mentir, omitir, manipular, criminalizar e agredir. Porém, a pulga que fica é: "pode haver liberdade de imprensa sem liberdade de expressão?"

Não se discute liberdade de imprensa sem tocar em questões como 'libertinagem de empresa', sem discutir monopólio midiático, propriedade cruzada dos meios de comunicação e a ausência de um marco regulatório da mídia. Sem tocar em pontos como: quem pode ter um meio de comunicação? Quem pode escrever nele? Quem consegue concessões de rádio e TV? Quais segmentos sociais são representados nos espaços midiáticos? 

Há 12 meses decidi aderir a 'blogosfera', esse fenômeno que tem possibilitado a expansão de uma nova forma de fazer jornalismo - que apesar de não ser profissional - tem aberto um caminho importante para a construção de cidadania e de democratização dos meios de comunicação e da liberdade de expressão.

A internet avança, mesmo sem o Plano Nacional de Banda Larga em prática, e os blogs começam a se firmar como fontes de informação. Se a informação é um bem coletivo, todo cidadão tem direito a informar e ser informado. É assim que a comunicação deixa de ser vertical para ser horizontal e, diante disso, esse sítio sempre teve a pretensão de ser um espaço 'coletivizante' e 'colaborativo'.

Desde a primeira postagem, sempre fiz questão de deixar claro que esse espaço tem um lado e o assume sem vergonha alguma. Talvez esteja aí a grande diferença entre a blogosfera e os veículos tradicionais. Não acredito em neutralidade em qualquer setor da vida, assim como não acredito em 'centrismo' e afins, motivo que neste espaço nunca foram 'vendidas' fantasias como da imparcialidade; mentira propagada pelos meios de comunicação desde o primeiro jornal publicado no país, sob a direção editorial de Dom Pedro.

Neste primeiro ano de luta, algumas postagens merecem uma menção especial: a cobertura do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu, oportunidade que pude conhecer e bater um papo com o cartunista e ativista Carlos Latuff; a entrevista com professor Nildo Ouriques, que dirige o IELA (Instituto de Estudos Latino-Americanos); a história do artista de rua Fillipe Monteiro, que tem o sonho de conhecer Eduardo Galeano; a visita da jornalista estadunidense Lynette Wilson ao MST em Cascavel; além das postagens relacionadas ao midialivrismo, a comunicação popular, cultura, povos indígenas e movimentos sociais.

Ao completar um ano, o Sítio Coletivo reafirma seu compromisso com uma informação horizontal e plural, pois somente assim chegaremos a uma comunicação verdadeiramente democrática. Esse espaço acredita na função social do jornalismo e da informação, função que é constantemente relegada em favorecimento aos interesses de patrocinadores, financiadores, interesses comerciais e dos donos dos meios de comunicação.

Esse é um sítio sem cercanias, uma terra comunal e de pouca extensão, de produção saudável, livre dos 'agrotóxicos' e dos 'agentes laranjas' da velha mídia, mas como pitadas de veneno subversivo e transgressor. Durante a semana, um camarada me lembrou de uma frase de George Orwell que dizia que "jornalismo é publicar algo que alguém não quer que seja publicado (...)".  Tecnicamente, o Sítio Coletivo não tem a pretensão de produzir o 'jornalismo', mas entende que ele não pode ser uma mera peça da engrenagem de realimentação do sistema e seus discursos, deve ser uma atividade, acima de tudo, 'áspera e verdadeira'.