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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Por uma rede de contraponto e pensamento crítico

Hrafnson (Wikileaks) e Ramonet (Le Monde)
Com seus sítios literalmente em mãos – em virtude do advento das novas tecnologias – e uma infinidade de ideias nas cabeças, centenas de blogueiros mostraram que o fortalecimento das mídias sociais e da imprensa alternativa vem se legitimando na sociedade. Durante os dias 27, 28 e 29 de outubro, Foz do Iguaçu se uniu à luta pela democratização da informação e, principalmente, pela liberdade de expressão.

A tríplice fronteira ficou ainda mais diversificada com a realização do I Encontro Mundial de Blogueiros Progressistas, organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom). 

Do evento resultou uma carta aprovada pelos mais de 650 inscritos, de 17 estados brasileiros e 23 países do mundo. Documento que afirmou como prioridade a luta pela democratização da informação, a urgência do Marco Regulatório da Comunicação, contra a judicialização da censura na internet e por um Plano Nacional de Banda Larga que garanta internet de alta velocidade a todos os brasileiros.

Parafrasendo Glauber, blogs nas mãos e ideias "democratizantes" na cabeça na busca de furar o cerco da grande mídia que novamente provou a quais interesses atende e quais (não) são suas prioridades. A imprensa corporativa das amarras comerciais praticamente fechou os olhos para o encontro mundial - fazendo uma cobertura pífia - como que se o que estivesse acontecendo na fronteira não passasse de um desses vários congressos que a mídia adora pautar para preencher grades de programação ou boletins de ocorrências tão massificados pela imprensa tradicional.

O boicote da velha mídia era já esperado, visto que o advento das novas mídias e da blogosfera tem causado pânico em determinados setores jornalísticos, arredios a defrontação de opiniões, ao contraponto daquilo que costuma vender como "verdade absoluta". O jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital - com larga experiência em redações tradicionais - fez uma explicação genial sobre esse fenômeno em sua intervenção, uma verdadeira "aula" de jornalismo que deveria ser repercutida nos atuais cursos de comunicação social que costuma dizer - na condição de professor - "formam monstrinhos competitivos para o mercado e que estarão dispostos a tudo para conseguir emergir dentro de redações".

Querendo conter cada vez mais esse instigante debate sobre democratização dos meios de comunicação, sobre uma informação plural, a imprensa tradicional calou-se diante da vinda de nomes como o jornalista e semiólogo Ignácio Ramonet, criador do Le Monde e um dos maiores estudiosos da comunicação da atualidade, nomes como Osvaldo Leon, editor da Agência Latinoamericana de Informação (Alai), o jornalista e porta-voz do Wikileaks Kristinn Hrafnsson, Martin Granovksi, editor do jornal argentino Página 12, o espanhol Pascual Serrano, editor do sítio Rebelion, entre outros.  

Divergências

Como deve acontecer em espaços que buscam a liberdade de expressão, também não faltou divergências de opiniões e críticas – tanto para a falta de independência de boa parte da blogosfera (ainda ligada a partidos políticos e governos) quanto para o papel que ela vem desempenhando nesse processo de construção de cidadania. Algumas verdades que parecem "inconvenientes" para parte da blogosfera, como apontou o 'ácido' cartunista e ativista Carlos Latuff.

Ramonet foi pontual ao pregar: "ser blogueiro não significa ser necessariamente um rebelde", apontando que existem blogueiros que apenas repercutem as opiniões da mídia tradicional, ou por vezes, potencializam visões ainda mais conservadoras. Afinal, como alertou o cubano Iroel Sánchez, do sítio CubaDebate: "a web por si só não significa democracia".

A blogosfera – assim como as redes sociais – vive um cenário de luzes e sombras, pois ainda não tem a capacidade de atingir a comunicação de massa e constantemente – para não dizer na maioria das vezes – é utilizada apenas para entretenimento, para alimentação da vaidade pessoal de cada um ou numa tentativa de escapar da solidão

"Rigor e verdade"

Para Pascual Serrano é preciso "rigor e verdade" nos valores da blogosfera. É preciso denunciar o modelo de oligopólio que predomina no setor da comunicação mundial e que se invista numa geração de jornalistas como valores humanos, pois disseminar intolerância, preconceito e juízo de valores, os "formadores de opinião" da velha mídia já fazem muito bem. 

Essa consciência coletiva está se criando na rede e a realização de um primeiro Encontro Mundial de Blogueiros pode ter sido o estopim para o despestar de inquietações e "revoltas democratizantes", pois as lutas encampadas na blogosfera devem ganhar às ruas, pois se faz necessário o mundo real para que elas se concretizem.  

A internet precisa deixar de ser uma rede de consumo para passar ao patamar de rede de produção de conhecimento. O Sítio Coletivo - que apoia esse movimento de blogueiros independentes, de pensamento crítico, que agem nesse contraponto de opiniões - teve o prazer de participar do evento, de acompanhar os debates e trocar experiências. Ao longo das próximas postagens estarei compartilhando aos "sitiantes" outras impressões do #BlogMundoFoz.   

terça-feira, 27 de setembro de 2011

#BlogMundoFoz: Uni-vos por uma comunicação plural

Comunicação popular, marco regulatório da mídia, expansão da banda larga, contrariedade a qualquer tipo de censura na internet, enfim, temas que buscam uma informação verdadeiramente plural e democrática e que serão debatidos pela blogosfera no 1º Encontro Mundial de Blogueiros Progressistas, em Foz do Iguaçu.

São três dias de evento na fronteira (de 27 a 29 de outubro), tendo como tema "O papel da blogosfera na construção da democracia". A organização é de responsabilidade do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Nomes de peso da comunicação já estão confirmados, entre eles o semiólogo galego Ignácio Ramonet, criador do Le Monde Diplomatique, um dos principais estudiosos da comunicação na atualidade.

Líder de movimentos antiglobalização e autor de vários livros, Ramonet propôs por meio do Observatório Internacional dos Meios de Comunicação, a configuração de um 'quinto poder'. Essa concepção surge da expressão 'quarto poder', cunhada aos meios de comunicação. Para Ramonet, esse "quinto poder teria a função de denunciar o superpoder dos meios de comunicação, dos grandes meios midiáticos, cúmplices e difusores da irrefreável globalização liberal". Porém ressalta que esse 'quinto poder' não pode estar atrelado ao Estado, elogiar governos ou criticar meios que não estariam de acordo com o governo vigente, não agindo como um meio 'chapa-branca'.

Kristinn Hrafnsson, um dos porta-vozes do Wikileaks, também estará em Foz do Iguaçu. Criado em 2006 na Suécia, país de origem do editor Julian Assange, o Wikileaks é uma das maiores contribuições para liberdade de expressão e transparência dos últimos tempos.  

O debate durante o #BlogMundoFoz deverá esquentar com a presença do ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Esse será cobrado e não poderá fugir de debates importantes como um novo marco regulatório para as comunicações - que regule a conduta dos meios de comunicação - o que já acontece em vários países do chamado 'primeiro mundo', mas que por aqui - desde que foi rascunhado pelo ex-ministro Franklin Martins - ainda não saiu da gaveta. Por trás dessa demora para se discutir o tema, o lobby de grandes corporações da mídia que insistem em tratar regulação como 'censura' (sic). 

Com a blogosfera em peso, Paulo Bernardo deverá também dar esclarecimentos sobre a expansão da banda larga para o alcance de usuários de baixa renda. O PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) já rende críticas, visto que deverá ficar por conta das operadoras privadas e não da Telebrás. Segundo o ministro, "internet sob regime público seria inviável neste momento, devido a questões orçamentárias". 

Os blogs – além de propiciar um maior número de informações e contrapontos de ideias – são benéficos ao próprio jornalismo profissional que precisará se reinventar. Na medida em que a mídia profissional se depara com um número de cidadãos comprometidos com uma comunicação popular, ela também terá (cedo ou tarde) que se voltar a uma comunicação que seja realmente plural. 

É na blogosfera que vemos emergir o fenômeno dos 'jornalistas cidadãos', aquele que apesar de não ser um 'profissional' da comunicação consegue colher e disseminar informações de relevância à população.

Em Cascavel, essa rede vem sendo criada e ampliada por meio dos blogs políticos. Temos exemplos do sítio do jornalista Fernando Maleski e do recém criado Ponto de Observação, com foco na transparência pública. Páginas que buscam a contraposição de opiniões em assuntos de relevância locais por meio da palavra livre, como do jornalista Jefferson Lobo, além de páginas sobre cultura e variedades como o Bastidores da Arte ou voltadas aos esportes como Magela na Área. Em Foz, temos o exemplo do Boca Maldita, do Ceará News, entre outros. Enfim, o Oeste do Paraná, que sedia o evento, também vem contribuindo para essa expansão da blogosfera.

Que essa rede aumente ainda mais, pois na medida que esses espaços crescem, cresce também a responsabilidade da mídia tradicional. Enquanto isso, os blogueiros, devem tomar o cuidado de se manterem independentes - não estarem vinculados a grupos políticos (tanto de campos progressistas quanto de campos conservadores) - para não caírem no erro de editarem instrumentos 'chapa-branca'.  

A internet, em especial o fenômeno dos blogs, contribui para a construção coletiva da informação. São milhares de pessoas que por meio da posse dessas informações e conhecimento contribuem para furar o cerco das práticas perniciosas da velha mídia tradicional, buscando assim, uma comunicação como ela realmente deve ser: horizontal, plural e democrática. Portanto, blogueiros do mundo uni-vos!


Na foto acima, Ignácio Ramonet e subcomandante Marcos, líder do Movimento Zapatista do México. Como dica aos sitiantes: "Marcos: A dignidade rebelde", lançado no Brasil em 2001 pela extinta Campo das Letras. O livro reúne uma série de conversas do jornalista com esse personagem lendário das selvas de Chiapas.  

Mais informações sobre o #BlogMundoFoz neste link

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ato pede o reconhecimento do Estado Palestino Já!

Ato em Foz será realizado na Praça do Mitre
Um povo que há mais de seis décadas vive sob ocupação israelense e que antes disso sofreu massacres e expulsões, além de verem suas moradias e cidades destruídas ou tomadas por grupos paramilitares sionistas. Há 64 anos a criação do Estado da Palestina vem sendo postergada e o povo árabe vem sofrendo com o terrorismo e o apartheid praticado pelo Estado de Israel.

Essa busca por soberania do povo palestino terá um novo ato nesta terça-feira, dia 20, com uma manifestação mundial pelo reconhecimento do Estado Palestino. O ato acontecerá simultaneamente em 142 países e a região Oeste do Paraná também se une à causa. Moradores da cidade de Foz do Iguaçu farão uma manifestação na Praça Mitre, a partir das 17 horas.

Os organizadores do ato em Foz esperam que os simpatizantes da causa palestina se unam a comunidade árabe da fronteira e participem da manifestação, afinal, essa luta histórica já ultrapassou os limites de questão de soberania nacional para se transformar numa luta humanitária. Além de Foz do Iguaçu, as concentrações no Brasil ocorrerão com mais vigor nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. 

A mobilização mundial antecede a abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, na quarta-feira (21) e a defesa pela criação do Estado Palestina pelo presidente Mahmoud Abbas, na sexta-feira, dia 23. A pressão feita pelos aliados é para tentar demover os EUA que já anteciparam o veto contra o pedido da criação do estado, fragmentado em dois pedaços. Um deles dominado por Israel que desde então exemplifica o maior campo de concentração do mundo a céu aberto.

O Estado da Palestina deveria ser criado há 64 anos, junto com a criação do Estado de Israel pela ONU, porém até hoje, os palestinos são impedidos de ter uma nação livre e soberana. Os organizadores do ato afirmam que o reconhecimento do Estado Palestino é correção de uma injustiça histórica. Abaixo alguns pedidos do povo palestino. 

* a existência e reconhecimento do Estado da Palestina é um ato de justiça negado por mais de seis décadas;

* a Humanidade exige respeito ao direito do povo palestino a uma vida digna e soberana;

* os palestinos exigem a retirada das tropas de ocupação de todos os territórios palestinos e o fim dos crimes e agressões coloniais de Israel contra a Palestina;

* pelo fim dos assentamentos judaicos ilegais em terras dos palestinos;

* pela Libertação Já de todos os 10 mil presos políticos palestinos nas masmorras israelenses;

* pelo fim do Muro do Apartheid construído por Israel em terras assaltadas aos palestinos;

* pelo Estado da Palestina Já e agora aprovado pela ONU;

* os palestinos defendem a Paz Justa entre Israel e Palestina Já e agora;

* pelo fim da intervenção imperial norte-americana – beligerante e criminosa – na região.

Recente reportagem do jornal Brasil de Fato expôs denúncia que o governo israelense vem utilizando armas experimentais nos ataques à Faixa de Gaza, com metais tóxicos e cancerígenos, que alem de provocarem mutilações e queimaduras, são capazes de produzir mutações genéticas. A matéria pode ser vista neste link 

Mais informações sobre esse conflito histórico no post Nakba: a Intifada midiática prossegue 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Fronteira Socialmente Incorreta

Rodrigo, Marcão, Teli e Velo
“Hardcore é protesto, a voz dos necessitados...”, diz a composição que também dá nome a banda Socialmente Incorreto e reflete o peso da sonoridade e letras desse quarteto de Foz do Iguaçu que há oito anos vem representando o cenário underground do “velho oeste” paranaense e da Tríplice Fronteira. 

Como já foi dito, esse espaço coletivo tem como um dos focos ampliar a abertura à artistas que produzem de forma independente, especialmente em nossa região. Em razão disso a porteira do sítio foi encancarada para os iguaçuenses Marção Oliveira (guitarra), Rodrigo Barreto (baixo), Cleiton “Telis” (bateria) e Ademar Junior “Velo” (vocal).

Com influências do punk-rock, hardcore nova-iorquino e o rap, mas sem cair em rotulagens, Socialmente Incorreto leva em suas composições a música de protesto, a realidade de nossa fronteira, além de críticas à mídia hegemônica e aos “velhos costumes modernos”.  Em 2007, eles lançaram um álbum homônimo com oito faixas.

Esse blogueiro conheceu pessoalmente a galera do Socialmente que esteve recentemente tocando em Cascavel e aproveitou para trocar uma ideia sobre música e comunicação, que fazem parte da vida dos integrantes da banda. Sem delongas, acompanhe abaixo o bate-papo.

Como e quando surgiu o Socialmente Incorreto?
[Velo] O Socialmente começou em 2003. Dois desocupados, numa quadra de basquete, tiveram a ideia de montar uma banda. Eu tinha algumas composições, já com algumas bases toscas. Chamamos mais dois desocupados e a merda tava feita.
[Marcão] Eu não era um dos desocupados. Entrei na banda logo após a gravação do CD, em 2008. O Teli (bateria) entrou em 2009.

Como definem a cena Hardcore e underground em Foz e o que representa para vocês?
[Velo] Com toda a sinceridade, hoje pouco se vê dessa cena. Alguns poucos remanescentes das boas épocas. O que acontecia antes - sempre tinha uma piazada nova - não se vê mais. Acho que perdemos pros ‘emos’ e pros ‘coloridos’.
[Marcão] O Velo bateu num ponto importante: falta renovação. A época em que a molecada corria atrás de galpões para alugar; percorria ruas da cidade colando cartazes; distribuía fliers, passou. Houve uma certa acomodação, uma vez que surgiram bares que mantinham a estrutura necessária para os shows. Isso deu fôlego, por um tempo. Como não é fácil manter um bar para um público sem dinheiro, esses lugares acabam fechando. Agora, quem, com 30, 40 anos de idade pesando nas costas, família para manter, contas a pagar, tem gás para recomeçar o processo?

Além do HCNY, que se percebe no álbum, quais as outras influências musicais?
[Velo] O gosto musical da banda varia muito, mas o que me influencia nas composições
são o HC e o Rap.
[Marcão] Eu sempre ouvi de punk rock a rock brasileiro dos anos 80, além de guitar band, entre outras coisas. O Teli (bateria) curte jazz. Claro que não dá pra colocar nas nossas músicas tudo aquilo que gostamos, mas acho que dá pra notar algumas ‘pegadas’ diferentes, principalmente ao vivo.

A realidade da fronteira é “hardcore” por natureza, como influencia nas composições?
[Velo] Somos quase todos nascidos aqui, onde vivemos há muito tempo. Então temos um grande apego a cidade, o que é uma das principais fontes de inspiração na hora de compor.
[Marcão] Um passeio pela Ponte da Amizade, num sábado, rende bastante assunto! (risos)

Em músicas como Ninguém se move e Guerra na Fronteira, vocês falam de luta social e figuras como Lampião e Chico Mendes. Falem um pouco dessa “pegada”.
[Velo] Chico Mendes, Lampião, assim como vários outros - que se eu for citar aqui, vou discorrer milhares de linhas - mostraram que temos o poder da mudança. Escrevemos sobre pessoas que mudaram suas vidas, ou deram suas vidas pelo que acreditavam ser o correto. É importante frisar que não temos laços com nenhum movimento político ou partido. Mas sempre vamos nos impor quando alguém quiser passar por cima. "Se você está abaixo vamos te ajudar a subir, se está acima vamos derrubá-lo, agora, se está ao nosso lado, andaremos juntos".

A fronteira é um local de grande miscigenação, onde afloram preconceitos. Como avaliam?
[Velo] Eu desconheço alguma ação de violência, tendo como partida a discriminação racial, por aqui. Foz do Iguaçu é um exemplo para o mundo. Somos 76 etnias que vivem em perfeita harmonia.
[Marcão] Foz do Iguaçu, como toda região de fronteira internacional, sofre com todo tipo de problema, e não é de hoje. Agora, daí a taxar a cidade como um reduto terrorista vai uma distância tremenda. O preconceito contra Foz parte da desinformação da mídia e, consequentemente, da população de outras cidades. Pior que isso, é o descaso de muitos moradores daqui. É normal iguaçuenses caracterizarem a cidade como ‘terra da muamba’, ‘Fossa do Iguaçu’, e por aí vai.

Alguns de vocês trabalham com comunicação. Na música A corda não arrebenta deste lado há uma crítica a televisão. Como a banda avalia a grande mídia, a “mídia limpinha”?
[Velo] Eu sou publicitário, profissão que impõe o consumo desenfreado. O Marcão é jornalista, profissão que distorce as informações e deixa a população cada vez mais tapada. Tentamos fazer diferente do que nossas profissões pregam e deve ser por isso que andamos a pé! (risos).
[Marcão] A forma como a população se relaciona com a mídia deriva de décadas de manipulação. Tentativas para combater essa situação não faltam, seja na imprensa alternativa, seja em organizações que pregam a democratização da informação no país. Mas não é fácil. O imaginário popular ainda se concentra nas ‘verdades’ disseminadas, com bases em interesses particulares, pelos grandes grupos econômicos. Um exemplo: todos comemoraram a morte de Osama Bin Laden. Mas não se sabe qual a real história desse caso. Ele realmente foi morto? Não vi nada que comprovasse isso. A morte dele era necessária? Pouco se questiona sobre isso, mas a ‘informação’ correu o mundo. E fica por isso mesmo.    

Como avaliam o fenômeno dos blogs e da imprensa alternativa?
[Marcão] Eu diria que a trincheira está montada. A tecnologia favoreceu o surgimento de veículos alternativos dispostos a questionar o atual status quo. O Sítio Coletivo é um ótimo exemplo! O boom de informações na rede colocou em xeque uma porção de veículos. Ainda há um longo percurso, mas as mentiras contadas pelos grandes grupos de comunicação passaram a ser questionadas, e isso não é pouca coisa.

Quais os planos da banda e aproveitem para deixar um recado aos “sitiantes”.
[Marcão] Na verdade, não temos feito muitos planos. Somos amigos, que gostam do que fazem. O Socialmente Incorreto tem resistido mais pela nossa boa relação do que por planejamento (risos). Por hora, tem dado certo. Queria aqui agradecer o espaço, Júlio! E também desejar longa vida ao Sítio Coletivo. Fazemos parte da mesma guerrilha! Grande abraço.

Acompanhem abaixo o vídeo de Guerra na Fronteira, que compõe o álbum de 2007


Mais informações em: www.myspace.com/socialmenteincorreto.