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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Arquétipos e a 'sina' dos artistas populares

Solange e Miguel encenam 'A Princesa e o Pirata'
A sina de artistas que escolhem viver da cultural marginal e contra-hegemônica é de nadar contra a maré. Uma escolha que grande parte das vezes é forçada pela falta da contrapartida do poder público. Há anos essa 'sina' de lutar contra a corrente acompanha o casal Miguel Joaquim das Neves e Solange Esequiel. Eles desenvolvem projetos ligados ao teatro, musicalização e cultura popular em bairros da periferia de Cascavel.

Atores profissionais, Miguel e Solange driblam as dificuldades para manter projetos que não contam com um único 'centavo oficial'. Nos últimos meses eles têm levado alegria às crianças com o espetáculo teatral 'A Princesa e o Pirata'. As apresentações vêm acontecendo – especialmente – em pastorais e associações comunitárias.

A última delas aconteceu no último fim de semana no bairro Floresta, região onde a dupla há pouco tempo desenvolvia o 'Ensinar', projeto que precisou de uma pausa. Cerca de 60 crianças faziam parte do projeto que tinha como principal objetivo promover cidadania e descentralizar a produção cultural na cidade. A intenção de Miguel e Solange é retomar o projeto o quanto antes.

O Ensinar contava com oficinas de violão e aulas de teatro com as crianças dos bairros Floresta e Sanga Funda. Era uma proposta que não visava lucro, mas que necessita de maior apoio e patrocínios. No fim de 2010, oportunidade que esse blogueiro teve um longo papo com o artista, ele já projetava as dificuldades em seguir com o projeto. "é uma semente que eu e a Solange queremos plantar. Amanhã se alguém me disser que quer assumir o projeto, trazer professores para cá, para mim está ótimo. O interesse não é que o projeto seja meu", falou na oportunidade.

A 'centralização' e burocratização da cultura dificulta o trabalho de artistas que precisam (sobre)viver sem o apoio oficial. Um trabalho – que segundo palavras do próprio Miguel – acaba sendo 'pancada'. "Costumo dizer que Cascavel é uma faculdade de artes cênicas, se você conseguir sobreviver quatro, cinco anos dela fazendo cultura, você consegue dar aula no Golfo, no Iraque, até na Faixa de Gaza", brinca o artista, que ironiza. "O Anchieta conseguiu catequizar os índios pelo teatro, mas aqui nós não conseguimos fazer isso com o cascavelense".

A dificuldade financeira também faz com que o casal perca oportunidades de levar sua arte para locais mais distantes. "Fomos convidados para participar do Festival de Teatro em Curitiba, mas não tivemos condições de ir", confessa Miguel. O casal levaria à capital do Estado a peça 'Sombras de um Passado'.

Sobrevivendo de festas infantis e de peças vinculadas a instituições, Miguel e Solange seguem enfrentando as barreiras da desvinculação do apoio oficial. Eles seguem sua 'sina' – palavra que também dá nome a um livro editado pelo poeta Miguel Joaquim das Neves, que junto com sua companheira Solange, se entregam de carne e osso à representação do ideal marginal da cultura popular, aquela de caráter transgressor e que se constitui em ferramenta de reflexão.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Arquétipos presenteia terceira idade

Miguel e Solange no Fringe 2011
A terceira idade de Cascavel será presenteada nesta terça-feira, dia 24, com o espetáculo teatral Sombras de um passado, do Grupo Arquétipos. A companhia - que atua de forma independente e que se dedica ao teatro popular - fará a apresentação da peça que foi um dos destaques do Fringe (Festival Nacional de Teatro) realizado em abril em Curitiba. 

O evento acontecerá no Sesc de Cascavel, a partir das 15 horas, e a entrada é gratuita. O espetáculo Sombras de um passado – encenado pelo casal de artistas profissionais Miguel Joaquim das Neves e Solange Ezequiel – aborda o sofrimento psíquico de Pedro, um homem marginalizado que migra do campo para a cidade. Às voltas com suas lembranças e fantasmas pessoais, percorre as vivências traumáticas antigas e os problemas concretos do presente. 

Além do espetáculo, serão realizados shows de poesia e músicas de autoria de Miguel. Sorteios de brindes e brincadeiras com os grupos da terceira idade também fazem parte da programação.Apesar de ser voltado à galerinha da terceira idade, Miguel aproveita para convidar os mais jovens para também participarem, promovendo assim a integração entre as "turmas". 

Como de praxe, esse será mais um evento cultural promovido pelo casal de artistas sem contar com o apoio de nenhum "centavo oficial". Miguel e Solange contaram apenas com a ajuda de alguns empresários da cidade, uma rotina que já faz parte da vida desses batalhadores da cultura no "velho oeste". 

Apesar da falta de apoio e valorização, o poeta Miguel é um entusiasta quando o assunto é a arte: “A arte é uma forma de quebrar barreiras e incentivar as novas descobertas, a arte por si só tem que ser livre, tem que ir além dos formatos, concretismos e metodologias aplicáveis, tem que ser apenas arte, pois ela tem o poder de revolucionar ideias, despertar censo crítico e mostrar possibilidades que existem em cada um”.