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segunda-feira, 1 de junho de 2015

II Congresso Internacional de Estudos do Rock

Apresentação da banda Beto Eyng e Seus Capangas, no I Congresso 
Seguem abertas as inscrições para ouvintes no II Congresso Internacional de Estudos do Rock, que se realizará no Anfiteatro da Unioeste, Campus de Cascavel, de 04 a 06 de Junho de 2015.

O evento é organizado pelo Colegiado de Pedagogia e pelo Mestrado em Educação/ Campus de Cascavel da UNIOESTE, com a co-promoção da Facultad de Periodismo y Comunicación Social de la Universidad Nacional de La Plata (UNLP) – Argentina. O evento acadêmico irá contar com conferências, mesas redondas, sessões de comunicações orais, lançamento de livros e CDs, shows de bandas e exposições artísticas. 

Este ano, a segunda edição irá homenagear a banda O Terço, considerada uma das mais importantes bandas de rock da música brasileira. Em 2015, completam-se 40 anos do lançamento do seu álbum Criaturas da Noite. O Congresso vai contar com a formação do Terço de 1975: Flávio Venturini, Sérgio Magrão e Sérgio Hinds. Nesta ocasião, vamos render uma homenagem ao baterista desta mesma formação, Luis Moreno, falecido em 2003.

Além da carreira junto ao Terço, os músicos se destacaram em carreiras solo e com outros grupos. Flavio Venturini é intérprete de grandes clássicos da MPB como Espanhola, Nascente, Besame, Todo azul do mar, Noites com sol, entre outras.   

Sérgio Magrão é um dos baixistas de maior renome na MPB, além de integrar O Terço, ainda faz parte do 14-Bis, uma da mais importantes bandas do cenário musical brasileiro. É autor, em parceria com Luiz Carlos Sá, de um dos grandes clássicos da MPB, Caçador de Mim, gravada por Milton Nascimento com grande sucesso. Sérgio Hinds é uma referência na história do rock nacional, considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos. 

Além de O Terço, na sessão Conversa com Músicos, iremos contar com a presença de Miguel Cantilo, expoente do rock argentino, da memorável dupla Pedro y Pablo. Cantilo é um dos mais importantes nomes do rock argentino, com uma produção extensa desde 1970 e que lançou seu último CD no ano passado. É autor de clássicos como Marcha de la bronca, Padre Francisco, Adonde quiera que voy, Catalina Bahía, entre outros êxitos na Argentina.

No segundo dia, o evento contará com uma palestra do músico e professor Frank Jorge. Artista importante da cena porto-alegrense e um dos nomes mais importantes do rock gaúcho, seja em sua carreira solo, como por intermédio de sua participação no grupo de rock Cascavelettes.

O evento contará com apresentações musicais como a banda do Congresso que homenageará O Terço, além de bandas locais como Fulminantes, Billy Montana & Os Voadores (que irá prestar uma homenagem a Miguel Cantilo) e Black Mountain Side.

Também haverá duas exposições artísticas no hall do Anfiteatro. A primeira é a exposição Músicas Ilustradas II (Rahma Projekt), pelo artista plástico Rafael Hoffman (Criciúma) e a outra, intitulada Capas censuradas, apresentará imagens de capas de discos censuradas pela censura espanhola, organizada pelo jornalista espanhol Xavier Valiño.

O Congresso contará com palestras de grandes especialistas nacionais e estrangeiros debatendo temas vinculados ao rock.  Haverá ainda lançamento de livros sobre o rock de autores nacionais e estrangeiros, bem como de CDs. 

A conferência de abertura, La censura en el rock durante el régimen de Franco, será ministrada no dia 04 de junho, pelo jornalista espanhol Dr. Xavier Valiño. Na noite de quinta-feira o evento irá homenagear O Terço, pelos 40 anos do disco Criaturas da Noite e prestar um tributo ao baterista Luis Moreno.

No segundo dia do evento, pela manhã, ocorrerá a mesa redonda Rock e Educação: as escolas e faculdades de rock, com a presença do Prof. Ms. Jorge Alberto Falcon (Coordenador do curso de Licenciatura em Música e Professor da PUC-PR), do Prof. Dr. Gérson Luís Werlang (Universidade de Passo Fundo, Faculdade de Artes e Comunicação) e do músico e professor  Frank Jorge (coordenador e fundador do Curso de Músicos e Produtores de Rock).

No período noturno, a atração será a vez da mesa redonda Rock e mercado editorial, como a presença de Rodrigo Merheb (Oficial de chancelaria do Itamaraty e Jornalista – autor do premiado livro O Som da Revolução, de 2012), do Prof. Dr. Guilherme Bryan (Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, FEBASP – Brasil, documentarista do Canal Brasil e autor do clássico livro Quem tem um sonho não dança, de 2003) e da pesquisadora do rock nacional Aline Rochedo (Doutoranda em História – UFRRJ e autora da obra Derrubando reis: a juventude urbana e o rock brasileiro nos anos 1980). 

No último dia pela manhã, sábado, às 9h30, o evento contará com uma Mesa Redonda e uma conversa com o músico Miguel Cantilo, além de um debate com o Prof. Dr. Ernesto Bohoslavsky (UNGS-Argentina) e com o pesquisador argentino Lucio Carnicer (Pesquisador, radialista e professor de música – Argentina).

O Congresso recebeu 185 comunicações científicas sobre o rock, que serão apresentadas durante as três tardes do evento, com pesquisadores do Brasil, Argentina, México, Chile e Uruguai. Nestas sessões, de comunicação científica, serão apresentadas as principais pesquisas sobre o rock envolvendo os eixos temáticos Histórias do Rock, Poéticas do Rock, Rock e Cinema, Rock e Comportamento, Rock e Contracultura e Rock e Educação.

Este evento colocou Cascavel no eixo das pesquisas de ponta sobre o rock na América do Sul e tem revelado importantes trabalhos acadêmicos sobre este gênero musical e sua forte influência na sociedade e na cultura de diferentes povos.

O evento é aberto a todo público adulto e o pagamento da inscrição será realizado a partir de um boleto emitido junto ao sistema do site do evento, após a inscrição on line do participante. O valor da inscrição é acessível: alunos R$ 30,00 e demais interessados R$ 40,00. Haverá emissão de atestado de participação de 36 horas.

As inscrições seguem abertas até dia 03 de junho, por meio do site: http://www.congressodorock.com.br/evento/index.xhtml

Maiores informações: evento@congressodorock.com.br

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quando 'neofascistas' criam verdades e vilões

Com sucessivas vitórias no Congresso, a bancada ruralista vem conseguindo alterar legislações em prol de especuladores de terra, grileiros e grandes latifundiários do agronegócio brasileiro. Os últimos golpes desse setor - que apesar de travestido na figura do desenvolvimento representa o que há de mais atrasado no Congresso - têm deixado marcas profundas que podem significar nova tensão no campo brasileiro.

Recentemente, os ruralistas do parlamento conseguiram a aprovação da PEC 215/2000, que visa transferir da União para o Congresso a prerrogativa de demarcar e homologar terras indígenas e quilombolas. Uma outra PEC, de número 038/1999, também tramita na Casa de Leis. Ambas as propostas tem o mesmo conteúdo e poderão significar uma 'nova invasão colonial' em terras tradicionais. 


Após aprovada, a PEC 215 motivou entusiasmo de alguns deputados que foram à público comemorar um eventual massacre dos 'povos de nossas florestas'. Verdadeiras pérolas foram disparadas, que nos remeteram a outras épocas, quando homens públicos falavam abertamente sobre 'limpezas étnicas'. 

O Congresso está repleto de parlamentares que obtiveram sucesso por meio de seus financiadores de campanha, dentre eles, empresas multinacionais do agronegócio, de maquinários agrícolas, insumos e agrotóxicos. Traduzindo em miúdos, a intenção da PEC é repassar para a raposa a vigia do galinheiro.

Ao ressuscitarem a PEC, os deputados pretendem rasgar a Constituição e descumprir acordos nacionais e internacionais. A proposta é antiga, foi apresentada há 12 anos pelo então deputado Almir Sá, do extinto PPB, hoje o 'progressista' PP. Já o relator é o paranaense Osmar Serraglio, peemedebista e, obviamente, outro ruralista.
 


Entre os que votaram a favor na CCJ, o 'democrata' Abelardo Lupion e entre os grandes defensores, outro paranaense: Nelson Padovani, de base eleitoral no Oeste do Estado. Esse último concedeu recente entrevista à CBN Cascavel, onde mostrou total desconhecimento sobre a temática indígena. Nela, o parlamentar soltou verdadeiras pérolas no quesito 'antropologia'. Ao tentar justificar a redução de terras aos povos indígenas, Padovani disparou: "os índios representam 0,43% de nossa população, eles não chegam a nem meio por cento".

Essa declaração me fez lembrar recente artigo publicado pelo jornalista e Doutor em História, José Ribamar Bessa Freire, que ao escrever sobre a aprovação da PEC lembrou de discurso da sessão magna das comemorações do 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, onde o engenheiro Paulo de Frontin, empossado depois como prefeito do Rio de Janeiro, disparou: "Os selvícolas (...), não são nem podem ser considerados parte integrante da nossa nacionalidade; a esta cabe assimilá-los e, não o conseguindo, eliminá-los".


Voltando ao Padovani, ele ainda fez acusações graves, alegando que os indígenas - acobertados por órgãos como a FUNAI - estariam enterrando cadáveres de seus próprios com o intuito de tentar comprovar cemitérios de terras tradicionais. Quanto às provas, o deputado resumiu-se a dizer que "o índio quando toma cachaça conta a verdade", demonstrando preconceito e sendo extremante infeliz ao tratar do problema do alcoolismo.

A 'aula' do parlamentar sobre os indígenas durou pouco, mas terminou com chave de ouro: "É quilombola, é índio, é sem-terra, o trabalhador brasileiro já não agüenta mais (...)", esbravejou nas ondas da rádio, o representante do Partido Cristão. As declarações do político e empresário do setor de maquinários agrícolas expressam a opinião de setores elitistas da sociedade que demonstram desconhecimento, ignorância e má-fé quando o tema são os povos tradicionais.

Não raro ouvirmos que é "inconveniente os índios terem tanta terra", afinal, para esses conhecedores da causa, esses povos representam "atraso à nossa pujante economia". Querem relegar aos indígenas, camponeses, quilombolas e ribeirinhos, pequenas e cercadas porções de terras, afinal, "eles não contribuem para riqueza do país produzindo para exportação (sic)".


Confesso que me repugna ouvir declarações tão rasas de um homem público e entristece ver esses juízos de valores reproduzidos por setores de nossa sociedade, porém elas dão margem para povos indígenas e camponeses fazerem o seguinte questionamento: "é justo o homem branco ter tanta terra (ou lote) para fazer especulação?"


Para quem não acompanhou a entrevista citada no texto acima. 'Deliciem-se' com o link.